quinta-feira, 4 de maio de 2017

I miss you blogosfera


Há muito tempo que tento escrever e não consigo. As pessoas que um dia acompanharam minhas postagens devem até saber do que estou falando, afinal, perdi a mão de escrever para o blog lá em 2014. É como se desde meu intercâmbio pra Alemanha, eu só tenha respirado com ajuda de aparelhos por aqui. Não existe mais aquele interesse orgânico por compartilhar as coisas que vi, li e assisti. A internet está saturada disso (i mean it). Criei a tinyletter com o intuito de me sentir parte de alguma coisa que movimentasse a internet, mas sinceramente nunca me senti envolvida o suficiente com aquele projeto. Lá as meninas compartilham ideias, propõem conversas sobre "n" coisas interessantes, possuem regularidade de postagem, trazem assuntos para debate o tempo inteiro, enquanto eu estava ali compartilhando minha vida e um pouquinho das minhas paixões quando conseguia. A forma que enxergo a newsletter é muito diferente da forma que enxergo um blog, apesar de algumas pessoas manterem o mesmo tipo de escrita e temas.

Tentei estender meu blog para lá, mas só encontrei uma grande fonte de frustração por não conseguir responder e-mails, não saber se as pessoas tinham lido e não me sentir inteligente o suficiente para poder compartilhar coisas legais, além de me achar só mais uma. Vejo minhas amigas escrevendo sete ou oito parágrafos sobre um determinado assunto, enquanto só me sinto capaz de escrever três ou quatro. Há algum problema comigo? Não sei. Olho para os sites como Valkírias e Pólen e me pergunto "por que raios vou escrever sobre isso se os textos já estão todos lá e tão bem escritos por pessoas que se dedicam absurdos?". E daí me dou conta de um dos porquês da blogosfera ter acabado. No fim das contas é uma questão de excesso de voz mesmo. Não há mais espaço para blogar porque muitos de nós, escritores de blog, estamos intimidados com tantas plataformas: medium, newsletter, sites. Todo mundo tem voz, todo mundo quer falar e daí vira essa competição doida de quem fala primeiro sobre isso ou aquilo. Grupos que planejam pautas, textos, dicas, etc, enquanto que na blogosfera era tudo descobrimento, era tudo sobre "senti isso, vou escrever". Não que os sites não tenham isso, mas não sei se consegui me fazer entender. Aqui, pelo menos da minha parte e do que eu lia, não existiam infinitas pautas. Era tudo uma grande crônica de algo engraçado ou triste, ou apenas um pequeno causo. Não era um grande alarde.

Sinto falta disso e, infelizmente, não sei solucionar. Eu poderia dizer "vamos fazer uma corrente, vamos voltar", mas faz tempo que deixei de acreditar na blogosfera. Talvez isso mude, um dia, quem sabe.

Mudei o visual do blog porque quis ver alguma esperança de algo novo desabrochar por aqui. É simples e bastante rosado porque é uma das coisas que refletem em mim desde que comecei a blogar. Certas coisas nunca mudam.

4 comentários:

  1. Já te escrevi algumas vezes sobre eu ser uma ávida leitora do seu blog/newsletter. Sou apaixonada pela forma pessoal que escreve, e sempre que o feedly pisca com texto seu, corro aqui para ler. Amo ler sobre sua vida, suas aleatoriedades, sua família, suas impressões sobre os acontecimentos à sua volta.
    Ironicamente, não consumo conteúdos como Valkírias ou Pólen. Sinto falta mesmo é dos blogs da Máfia, dos textos sobre o intercâmbio ou sobre o aniversário da priminha. Sobre o livro que alguém leu, que lembrou daquele episódio de infância descrito com tanta simplicidade, que eu sentia que só poderia estar falando comigo.
    Essas "revistas virtuais" não me tocam dessa forma. Normalmente é uma análise presunçosa (quando não passivo-agressiva), cheia de ideologia forçada, com toques de "senta aí e engole que eu sei do que estou falando" que nunca me chamou a atenção. Sabe? Tipo como quando os blogs de maquiagem surgiram. Você podia ler como a blogueira achou aquele produto baratinho na farmácia num dia de compras com a mãe e testou e achou que valia compartilhar. E, num dia de compras com a sua mãe, vc passava na farmácia baratinha e achava o produto e lembrava da menina. Só que, de repente, a blogosfera foi inundada por resenhas frias, todas jogadas de uma forma tão fast food, que você já não se sente compelida a seguir nenhum blog individual de fato. É mais fácil simplesmente buscar o produtinho no google, ler uma ou duas resenhas em blogs que você sequer se apega ao nome, alt f4 e pronto.
    Essas revistas virtuais inundaram a internet de uma forma que acabam lembrando isso para mim. Quando eu quero mesmo saber de algum assunto, faço uma busca no médium, consumo aquele conteúdo, fecho, e sequer lembro o nome do autor em seguida.
    Não que meu jeito seja o certo, nem nada. Só estou dizendo que quem sabe existem outros leitores do seu blog como eu? Que não estão dando a mínima para esses textos sabichões sobre o significado transcendental dos 13 porquês e como ele se reflete na sua aula de yoga semanal. Que só querem mesmo saber que seu irmão te abraçou outro dia e você o ajudou na lição de casa.
    Torço muito para que você continue com o Meu mundo Disperso. E que fique registrado que acho você super inteligente e que escreve bem para porra.
    Beijos.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Eu acabei de comentar sobre isso em outro post: as vezes me sinto um peso morto na internet. Porque todo mundo meio que já falou sobre tudo e ninguém quer saber sobre uma história engraçadinha que aconteceu com o cachorro da minha vizinha.
    Eu sinto falta de posts despropositais, em que a pessoa só quer compartilhar um momento, uma história engraçadinha ou uma reflexão; mas por outro lado fico pensando: será que tem gente pra ler isso?
    Enfim, eu acho que o bacana é continuar escrevendo o tanto que você quiser, sobre o que quiser, porque no fim das coisas a escrita serve pra se expressar, pra colocar pra fora e pra guardar uma lembrança sobre as coisas que te aconteceram. É como um grande registro de você mesma.
    Beijos

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  4. Oi, Larie!

    Saiba que gosto muito da "simplicidade" dos seus textos; e também gosto da sua newsletter exatamente por isso: por ser um texto pessoal, que me faz sentir como se eu fizesse parte da sua vida. Como se você fosse uma amiga que mora longe me contando as novidades.

    Não se sinta um texto a mais no meio de tantos. Não se preocupe com a quantidade de parágrafos ou a qualidade do conteúdo. É a sua voz, a sua maneira de escrever, o seu jeitinho engraçado e sincero que nos faz entrar no seu blog, ler as suas peripécias e esperar por novas publicações.

    Beijos, xará!

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