segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Out of the dark

Durante um tempo da minha vida preferi ficar sozinha no meu quarto presa dentro de uma bolha escrevendo, lendo, assistindo filmes e tocando violão. Era muito confortável viver assim na minha cabeça. Achava até que estava caminhando para algo parecido como me bastar como pessoa. Só esse ano, entretanto, me dei conta de que a solidão pode ser sua amiga, mas também pode te levar para caminhos obscuros de auto-conhecimento que você não gostaria de lidar. 

Eu não sabia, mas estava mal. Pra mim chorar facilmente depois de um dia de universidade era só uma reação normal de uma pessoa sensível. Ninguém me avisou que o processo de amadurecimento poderia ser tão dolorido e tão intenso. Quando você se dá conta, está com 23 anos, algumas histórias e mais responsabilidades nas costas do que jamais sonharia. E o peso de ter que fazer tudo certo dói se você se importa minimamente com as pessoas ao seu redor. Porque crescer dói e se distanciar da pessoa que você acreditava que era é muito confuso. 

Foram uns quatro anos da minha vida vivendo com essa carga pesada nas costas e inventei desculpa atrás de desculpa pra isso não desabar em cima dos meus amigos. Tanta desculpa que me afastei de gente importante, gente que colocava sorriso no meu rosto falando uma merda qualquer. Me dar conta disso me assusta. Como deixei as coisas chegarem a esse ponto é um questionamento diário. Tenho um monte de textos, entradas em diários, blogs fechados e tudo o que é possível em relação a escrita começando com a frase "eu não estou bem" e nunca passou pela minha cabeça que isso poderia ser uma coisa mais profunda. Agora eu sei. Saí do fundo do poço e agora observo encostada na superfície o quanto eu estava mal. 

plenitude

Portugal serviu pra mim como uma terapia. Não foi um lugar fácil de morar, mas aquelas vezes que eu peguei meu fone de ouvido e sentei à beira do Mondego observando aquele fim de tarde digno de filme ou quando olhava pela janela do carro as paisagens enquanto estava numa road trip com a minha família me mostraram que o isolamento que criei a minha volta foi a maneira que encontrei de digerir o tanto de coisa que estava acontecendo ao meu redor e também foi quando me dei conta de que eu não vou conseguir desacelerar o passo que a vida flui. Ela é rápida e implacável. 

Esse pensamento se concretizou ontem enquanto tinha uma conversa franca com a minha melhor amiga sobre como fazia mal eu sumir da vida dela sem dar aviso nenhum. Nunca foi proposital. Ela nunca soube o quanto eu estava mal porque eu também não sabia que estava. Acreditava que só precisava de um tempo das pessoas. Little did I know que o que eu mais precisava era o colo de alguém e que eu pudesse simplesmente olhar pra pessoa e falar "obrigada por estar aqui".

2 comentários:

  1. Quanto mais a vida vai passando, mais eu vou descobrindo como é bom se aproximar das pessoas que se importam com a gente. E também vou descobrindo como é bom se desapegar das coisas que não fazem mais sentido, das coisas que só fazem excesso na rotina e das pessoas que não fazem diferença nenhum na nossa vida. Beijos, xará!

    ResponderExcluir
  2. Eu tenho exatamente a mesma tendência que você. Essa cosia de se isolar, esconder a tristeza de quem, no fundo, só queria ajudar. Eu não sei se faço isso porque acho que vou incomodar terceiros com minhas "bobeiras", ou porque sinto uma dificuldade imensa de expor meus sentimentos até para mim mesma.
    O pior período da minha vida foi uma época que eu estava mal sem saber e queria deixar para lá, mas até hoje me pego pensando no quanto eu estava desesperançosa sem saber exatamente. O ponto positivo é que isso me fez saber identificar melhor esses períodos, e não deixar chegar ao fundo do poço sem pedir ajuda antes. E a apreciar melhor a vida agora, mesmo que um ou outro campo não estava saindo exatamente como eu quero.
    Beijos!

    ResponderExcluir

Meu estágio, minha vida

Há cerca de dois ou três anos eu costumava escrever bastante sobre os sufocos que passava na universidade. Falava muito sobre minhas dúvida...