sábado, 2 de julho de 2016

I move in my own way

É uma verdade universalmente conhecida que os últimos dias de viagem serão os melhores dias da viagem inteira. Minha vida toda eu sofri com essa máxima. Cansei de viajar pra casa de praia da minha tia em Tibau e só de fato curtir as últimas duas semanas no mar. Cansei de viajar pra casa dos meus tios e só ter momentos de paz e entrosamento com meus primos nos últimos dias. Aqui na Europa não está sendo diferente.

Estou no meu último mês de vivência em terras europeias e fui pra feiras legais (que só acontecem no verão) em Portugal e estive em Porto no fim de semana por causa do conhecido São João que tem lá. Não demorou muito para chegar à conclusão que Porto é a melhor cidade do país. É uma cidade pequena mesmo sendo uma cidade grande. Multicultural, bela de tirar o fôlego dependendo do lugar que você está às margens do Rio Douro e cheia de construções antigas e bem cuidadas. É realmente um lugar memorável. Sem falar nos vinhos que já te derrubam logo na primeira tacinha.

Rio Douro
Agora vos escrevo diretamente da escrivaninha do meu namorado em Hamburgo. A Alemanha, como eu já tinha uma ideia através de fotos e comentários, é absolutamente LINDA no verão. E maravilhosa. Dá até pra se enganar que aqui vai ter sol pra sempre e que o inverno não é um horror. O que na verdade só serviu pra me enganar porque há três dias SÓ. CHOVE. e tá nublado. Mas tudo bem, contanto que não tenha aquele frio arrebatador de destruir meus dedos da mão, está tudo certo.

Estou vivendo de amor e isso pode ser traduzido pra vocês como não só ficar deitado o dia inteiro de conchinha (única alternativa possível no inverno), mas meu namorado é super conectado com coisas da natureza e me levou para uns parques isolados e ótimos para ficarmos lendo e conversando sobre a vida, o universo e o tão assustador futuro. Aliás, o futuro, né? Se pensar no futuro já é algo difícil, imagina começar a pensar que seu futuro pode estar em outro país E COMO DIABOS VOCÊ VAI FAZER ISSO ACONTECER, não é mesmo? Do fundo do meu coração eu evito entrar em muitos detalhes sobre o assunto enquanto estou conversando com ele. Alemão gosta de ter todos os pontos nos is, mas eu sou uma bagunça e não sei como remediar isso. De verdade, não sei.

Öjendorfer Park
Ontem ele me perguntou quais eram os meus planos de vida se não estivéssemos juntos e eu engoli em seco porque, na verdade, eu tenho uns planos A, B e C não muito bem delineados que servem apenas para me guiar (nada muito elaborado) e todos eles foram criados para viver minha vida solo. Disse pra ele que meu primeiro plano era sair do meu país. Foi assim com 16 anos e continua sendo, mas que eu ODIAVA colocar isso em palavras por causa das expectativas. E ele ficou surpreso de eu querer mudar mesmo não tendo ninguém pra me dar apoio lá fora. Eu disse que era por isso que sempre deixei minhas opções em aberto. A vida toda foi assim. Não desconsidero o euro subir tanto que esses sonhos se tornem impossíveis ou uma catástrofe acontecer ou eu encontrar alguém que queira juntar os pauzinhos comigo e acabar morando no Brasil mesmo. O mundo é cheio de possibilidades e nunca fui capaz de enxergar meu futuro só com a pessoa que está do meu lado (ok, o primeiro boyzinho foi assim, mas o choque de realidade foi tão grande quando ele me deixou que jamais fui crente de que meu destino pudesse estar 100% atado àquela pessoa que estava comigo no momento). Pra ele esse foi um papo que assustou porque ele é uma pessoa que precisa MUITO de estabilidade no amor (taurino, bjs) e eu como uma leonina porra louca independente não sou capaz de dar essa certeza pra ele. Parece coisa de gente que só quer vagabundear pela vida, mas na real já quebrei tanto a cara achando que certas coisas iam acontecer que só entreguei pro destino mesmo. No fim das contas a única certeza que temos é a morte e isso é algo que me assusta demais pra conversar sobre. 

Antes de ir embora, só queria deixar por escrito esse questionamento sobre como os alemães conseguem planejar tanto sobre tudo, o tempo todo. Não existe essa coisa de "daqui a pouco a gente vê". Provavelmente o background de duas guerras tenha atinado as pessoas desse jeito e o fato de praticamente ter 6 meses de frio deixe as pessoas mais calculistas. Pra mim o frio só fez trazer uma grande mancha que cobriu meus sentimentos alegres que custavam a aparecer. Será que é bom viver assim? É feliz? Traz mais realização? Não sei, mas talvez eu acabe virando essa pessoa que planeja as coisas. Ou talvez eu só sucumba com a falta de plantas deixando a vida me levar. 
Nunca se sabe.

2 comentários:

  1. "[...] ele é uma pessoa que precisa MUITO de estabilidade no amor (taurino, bjs)"
    AMIGA NÓIS TAURINO SOFRE TANTO!!!!!1
    Metade do cérebro é racional demais e a outra metade quando se apaixona já tá planejando o pagamento do IPTU com a pessoa, complicado. Mas ao mesmo tempo que entendo o lado dele entendo o seu mais ainda, porque sempre me vi como alguém independente, não consigo de jeito nenhum me visualizar casando com alguém (todo mundo vem com aquele papo de "Ah, mas você não encontrou a pessoa certa ainda" e não porque nem sempre, né?) então todos os planos de vida que tenho em mente incluem eu, um cachorro e uma taça de vinho.
    DE QUALQUER FORMA, quando vi a foto de vocês no Instagram já achei muito fofinhos e agora que vi aqui no post gostaria de repetir: vocês são muito fofilíneos juntos <3
    Beijos!

    Novembro Inconstante

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  2. Amiga, Tati entende o boy, e eu entendo você. Não faço planos pra sair do país não, sou muito apegada na família e gosto muito de feijão feitinho na hora, feijão bom mesmo, pra deixar o Brasilzão. Mas no geral, tenho alguns planos e espero que eles deem certo. Dá medo pensar que não, bate um desespero, mas tô tentando deixar pro mundo tomar conta porque eu já não dou mais conta não.

    Sou muito curiosa e queria saber: vocês conversam em inglês entre vocês? Você fala alemão? Ele fala português? COMO QUE É? HAHAHAAHHA

    Beijo, miga! <3

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