sexta-feira, 6 de maio de 2016

Manage me, I'm a mess

Em algum momento da minha incrível jornada de crescimento pessoal achei que finalmente, aos quase 23 anos, eu estaria chegando em alguma conclusão sobre quem é essa pessoa chamada Larissa e quais seriam os objetivos de vida dela. Vejam só vocês, há três meses de completar esses anos citados, não faço a menor a ideia de como me definir ou como dizer com clareza o que eu realmente quero pra minha vida. Queria ser autoconfiante o suficiente pra dizer que "quem se define, se limita" como fiz no finado orkut aos 15/16 anos, mas se isso eu fizesse seria porque serve como uma capa de invisibilidade pra ninguém ver que deep inside estou cada vez mais confusa. 


Uma coisa melhor de crescer é que, aos poucos, estou me acostumando a pensar nessas coisas sem ter o famigerado ataque de pânico (falando em ataque de pânico vocês viram que algumas pessoas filmaram seus ataques de pânico e colocaram no youtube? achei muito louco e bizarro expor um trem desses). Poucas coisas têm me tirado do meu eixo, só as provas da universidade e a pressão DOS MEUS PAIS TEREM QUE PAGAR RIOS DE DINHEIRO pra isso e o constante medo de fracassar. Quando envolve dinheiro dos pais é 18309281923 pior, não acham? Mas é "só" isso mesmo. Considero uma vitória imensa, inclusive. Meu corpo agradece.

Falando em corpo acho incrível que eu leia tantos textos feministas sobre como precisamos aceitar o nosso corpo do jeito que ele é, que ele é lindo com marcas e com todos os seus tamanhos, etc, e como eu compactuo com essa ideia e concordo com tudo que eu leio, mas ainda assim caio nas armadilhas da mídia. Gente, a autoestima está batendo lá no fundo do poço. Engordei 3,5 kg desde que cheguei aqui e comecei a me encarar no espelho de um jeito cruel. Toda vez que passo por um nua encolho a barriga e me sinto miserável tanto por estar infeliz com o meu corpo como por estar cedendo os pensamentos pra algo que eu sei que foi implantado na minha cabeça desde novinha. Já fui choramingar pro meu namorado dizendo que estava me sentindo horrível e que comecei a comer menos (não ficar sem comer, mas reduzi a ponto de voltar a sentir fome. sei que estou errada nisso e já voltei a comer normal, mas mais saudável) e ele me deu uma bronca homérica e agora todo dia manda um aviso no skype contendo "DON'T DO DIETS". Aquele famoso friendly reminder, sabe assim? Já parei de fazer dietas, mas é difícil se aceitar. Não vou mentir. E tudo depende de épocas porque há um mês eu estava completamente ok com o meu corpo com dias de luta e dias de glória, mas agora parece que atingi um limite inferior e pra sair daqui está sendo sofrido. 

vamos lembrar da tirinha pro resto da vida? pois sim
Quis compartilhar isso aqui porque com a newsletter acabo me abrindo MAIS do que queria e cometi um erro de falar sobre minha família e ficar paranoica com aquilo. Aqui sempre foi meu lugar segura e onde eu me mantive pessoal, mas sempre existiu uma barreira que eu me sentia confortável. Sei que disse que ia largar a newsletter e vir para o blog de vez, mas fiz justamente o contrário e ando em pé de guerra com o que eu realmente quero. Virei blogueira ocasional como Paloma e Analu disseram e sinto vergonha de assumir isso, mas passar por crise existencial e problemas de casa é um combo que não desejo a ninguém. Como voltar a escrever em espaços públicos tem sido uma grande questão na minha vida porque tem tanta gente escrevendo melhor SOBRE TUDO que minha opinião chega a ser irrelevante ao mesmo tempo que penso que se todo mundo pensasse assim não haveriam mais textões na internet e muito menos blogs.

Tá vendo que eu disse que não eu não estava fazendo o menor sentido?

Fases, né, o que fazer com elas? 

3 comentários:

  1. Eu concordo que a gente tem que aceitar o corpo que tem, mas isso não significa que a gente tenha que ser desleixado com a aparência. Também fico insatisfeita com a minha barriga, com a cintura que não tá legal, com a bunda que anda meio caída e nem por isso sou uma idiota querendo me encaixar num padrão de beleza determinado pela mídia. Eu só quero ter um corpo mais bonito a partir do próprio corpo que já tenho. Algum problema se quero uma barriga menos saliente? Ou se quero ter um corpo saudável? As feministas que critiquem.

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  2. NÃO LEVE A MAL MEU COMENTÁRIO, POR FAVOR, mas é tão acolhedor quando vejo alguém mais velha(o) que eu dizendo que continua sem saber quem realmente é, porque às vezes eu penso que isso só acontece na minha cabeça desgraçada, sabe? Sei lá, atualmente as pessoas gostam de esbanjar felicidade inexistente nas redes sociais e é sempre bom ver alguém que se mostra humana <3
    Sei que com esses complexos corporais por mais que sempre nos digam isso a mente sempre dá um jeitinho de nos deixar mal sem motivo algum, mas eu sei que você é linda e não quero te ver pensando o contrário na frente do espelho, ok?
    Beijos!

    Novembro Inconstante

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  3. Ai amiga, esse post bem que podia ter sido escrito por mim, sabe? Sou um pouco mais nova que você, mas o sentimento é o mesmo. Tá complicado.

    Nem me fale em autoestima, eu tô bem mals também, embora eu seja uma guria super "padrão": branca, loira, magra, maaaasss EU NÃO TENHO OLHO AZUL e meu ex era doido por olhos claros e isso me deixou mal pra caramba porque ele era doido por uma coisa que eu não tinha e agora eu me pergunto se mulheres de olhos escuros são bonitas porque na mídia as mulheres por quem todo mundo suspera são as de olhos claros. Inclusive dei uma olhadas nas listas do IMDB que os caras fazem das atrizes mais bonitas e: maioria de olho claro, uma minoria de olhos castanhos. Aí eu tô triste, como que faz pra não ficar triste, aaaaaaaaaa. Não tem texto feminista que nos faça superar isso, né? :(

    Beijinhos e não esquece do blog porque eu odeio newsletters, ÇLSDFASFD. <3

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