domingo, 20 de dezembro de 2015

Good times for a change

O fim do ano nunca esteve tão próximo e tanta coisa aconteceu de outubro pra cá que me faltaram palavras (ou coragem) para colocar tudo em texto. Talvez esse seja meu ponto final sobre esse ano de 2015, talvez não. Realmente estou lutando contra essa minha preguiça infinita de escrever (nem diário tá rolando) e hoje resolvi seguir o conselho que minha amiga Anna Vitória me deu ontem: só. escreve.

2015 foi um ano bleh. Sei que é no mínimo esquisito definir um ano por uma expressão de quatro letras, mas foi a única que encontrei para resumir tudo. Às vezes acho que 2015 foi o ano que me desencontrei da pessoa que eu costumava ser. Lembram (acho que não) que eu disse que tinha passado a virada do ano de roupa velha, sem fazer pedidos, etc? Acho que talvez a vibe do primeiro dia (de ressaca, menstruada, sentindo falta da família) prosseguiu ao longo do ano. Não quer dizer que não tive momentos ótimos. Reconheço isso, mas em geral foi tudo uma grande vibe errada. 

Em fevereiro eu já estava louca pra deixar a Alemanha e voltar pra casa. Chegando na terra do sabiá, fui tomada de um sentimento ruim por muito tempo. Me senti deslocada, esquisita, não queria estar ali. O que houve comigo? Depois de muito refletir, cheguei à conclusão que sua família pode ser a coisa que você mais ama na vida, mas uma vez que você sai do ninho, você não quer voltar. Nunca achei que fosse dizer isso, mas apesar de ser deveras cômodo morar com os meus pais, eu senti falta da liberdade de ser o que eu quisesse quando eu quisesse enquanto morava sozinha. É uma bosta cozinhar depois de chegar cansada em casa? É. É uma morte lavar roupa de madrugada? É. Mas é maravilhoso saber que não vai ter ninguém te mandando fazer nada ou tomando conta da sua vida. Sinto falta do livre-arbítrio de fazer o que der na telha. Hoje preciso perguntar, pedir permissão e é um saco. Geralmente deixo de perguntar por já estar na expectativa de receber um não.


Além disso, perdi amigos. Dessa vez tive certeza. Me afastei muito das pessoas que tanto gostava e criei uma barreira para não deixar outras entrarem na minha vida. É terrível e isso anda me devastando por dentro. Desaprendi a ser companheira. As pessoas da minha cidade não me animam e é tudo absurdamente desinteressante. Há momentos que algumas das minhas melhores amigas me salvam, mas não é suficiente. Sem falar que esse ano foi o ano dos vários nadas, fruto de uma greve absurda e uma falta de interesse sem tamanho. Eu poderia ter feito tantas coisas, mas não tive forças pra mover uma palha sequer. 2015 foi o ano do fundo do poço, do ficar a ver navios, do nada excitante acontecendo, das tragédias ao redor do mundo. O 2015 de vocês deixou essa sensação também? 

Repito: tive picos de alegria sim, mas não foi suficiente para dizer que 2015 foi um ano incrível. Estou viva, com saúde e em Portugal me embebedando de vinho todas as noites. Life was never worse but never better, sabe assim? Aqui as coisas estão indo muito bem, obrigada. Estou vivendo um momento feliz com a minha família em um país que eu achava que não ia gostar tanto, mas acabei me sentindo em casa. Só que com um clima melhor e pessoas mais bonitas hahaha. Vou tirar do âmbito dos planos esse negócio de escrever e voltar a escrever sobre a vida por aqui. É uma mania que tenho de boicotar as coisas que me fazem bem, mas isso é assunto pra outro texto, né? 

Espero de verdade que 2016 seja mais agitado (de uma maneira positiva) pra todo mundo e que sorrisos é que não faltem.

ps: antes da virada do ano eu volto!

6 comentários:

  1. Nossa, me abraça. 2015 eu me senti exatamente assim o tempo todo: fora do ninho. Foi um ano muito ruim em diversos aspectos, e foi logo o primeiro ano de faculdade, olha só, um ano que poderia ter sido incrível. Mas já reparou que foi mais ou menos com todo mundo isso? Estranho. Espero que 2016 seja uma ano muitíssimo melhor.
    Beijos, até <3

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  2. Gente, o que aconteceu com 2015 que cagou em cima de todo mundo? Até agora eu não li uma pessoa sequer dizendo que o ano foi bom. Claro, ele pode ter tido picos de alegria e contentamento, mas bom? Não. Dificilmente. Minha virada de ano também foi longe da família, e ela foi ótima, mas aparentemente o ano não quis seguir os mesmos passos.
    Espero de verdade que 2016 seja melhor. Eu quero muito que seja.

    Beijo!

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  3. Só vou dizer mais do mesmo: 2015 não foi fácil.

    Li teu post passado (comentei também) e imagino que esse ano deve ter sido horrível pra ti. Quando voltei pro Brasil, também passei por uma coisa parecida. Voltar pra casa sempre dá um ruim depois que a gente meio que constrói a vida em outro lugar. Mas vai melhorar. Eu realmente espero que as coisas melhorem pra ti em 2016. <3

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  4. Perder amigos tem sido umas das coisas que mais me acontece desde 2011, ás vezes eu tento fingir que não me afeta, mas é bem ruim :(
    Espero que tudo fique bem por ai

    Novembro Inconstante

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  5. Oi, Larie. Acho que se a gente encarar 2015 como uma espécie de ano de transição, a coisa não fica ruim. Quem sabe ele estava só preparando a gente pra 2016, quem sabe 2016 seja incrível.
    Entendo muito a parte de sair da casa dos pais. Às vezes eu sinto saudades, mas seria muito difícil mesmo voltar.
    Espero que esse ano seja melhor pra você. Beijos!

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  6. Amiga, que coisa esse 2015. Eu já pensei em "bleh" pra definir ele também, mas seria muita injustiça com várias coisas boas que me aconteceram. Fato é que 2015 foi um ano em que me senti parada no tempo, mesmo enquanto fazia mil coisas. Não sei explicar direito, mas era uma sensação de estar desperdiçando cada segundo do meu dia em que sentava na cama porque já tinha feito demais. Como se nenhum esforço fosse suficiente, sabe? Correr em círculos? Enfim.

    "Depois de muito refletir, cheguei à conclusão que sua família pode ser a coisa que você mais ama na vida, mas uma vez que você sai do ninho, você não quer voltar." Sim. E não existe afirmação mais verdadeira. Depois que a gente sente o gosto da liberdade, nada é mais frustrante que ter que se submeter às regras de outras pessoas.

    Espero que seu (nosso) 2016 seja completamente diferente. Amo você <3

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