segunda-feira, 16 de novembro de 2015

A lack of color

Semana passada minha mãe me viu jogada na cama lendo um livro e questionou o por quê de eu andar tão apática com a universidade. Ela veio me perguntar se eu era feliz com o meu curso e se eu gostava do que estava fazendo. Segundo ela, eu devia mudar pra letras porque o que eu gosto de fazer mesmo é ler. Eu ri muito na hora e falei que aquela era uma ótima hora pra ela me dizer aquilo, sabendo que já no oitavo período eu não mudaria. Ela sabe que se perguntasse dois anos atrás eu teria mudado sem fazer muita questão.

Quem me segue desde o começo sabe que tive muitos perrengues dentro do meu curso. Muito sofrimento envolvido naquelas matérias de cálculo e tal. Mas a questão é que eu gosto de ciência e acho lindo o curso que estou "prestes" a me formar e tenho um carinho especial por ele ter me mandado pra Alemanha ano passado. Lá eu vi que a Engenharia é muito mais do que eu já tinha visto dentro da sala de aula e é uma área de inúmeras oportunidades. Adoro esse leque de escolha.

Então não, eu não quero mudar de curso. Meu problema é outro. É mais profundo e esquisito. Tenho essa sensação constante de que estou presa no tempo e espaço. Não tenho vontade de fazer nada. Não tenho iniciativa nem pra ligar numa clínica e marcar um exame. Não me empolgo com nada enquanto estou dentro de casa. É como se eu entrasse em um limbo. Fora eu consigo rir, consigo me emocionar, consigo falar com gente estranha e me divertir. Aqui dentro ando me sentindo meio claustrofóbica. Toda vez que planejo sair com meus amigos minha mãe nega o carro alegando que não quer que eu volte sozinha pra casa à noite. Ou então ela fecha a cara quando digo que não quero ir para o lugar que ela vai. 

Eu não quero só ser amiga de professores. Achei que isso poderia dar certo, são pessoas divertidas até, mas não. Preciso de gente da minha idade, preciso de liberdade pra poder sair e me divertir. Eu me sinto mal quase o tempo todo e só chorei agora escrevendo esse texto porque foi a primeira vez que pensei na raiz do problema. 

Há anos me afastei dos meus amigos de colégio por causa da faculdade porque eu só queria chegar em casa na sexta e dormir pra recuperar o sono que não tive na semana. Declinei convites pra várias coisas e simplesmente não dei sinal de vida. Agora sofro com isso calada porque não tenho mais ninguém. Eles combinam coisas e não avisam. Quando pergunto, me dizem e chamam pra ir junto, mas aí já me sinto excluída e fico em casa mesmo. 

Não sei. Aqui dentro tá acontecendo muito coisa e eu não sei por onde começar. 

Acho que esse é o preço que se paga por se afastar de quem era seu amigo.
Não sei.

6 comentários:

  1. Larie, vem cá, me dá um abraço.
    Incrível como tu conseguiu colocar em palavras tudo o que eu ando sentindo ultimamente. Nossa. Quando li teu post fiquei perplexa. A quantidade de coisas que eu poderia ter escrito (porque tô me sentindo da mesma forma) é enorme.

    "Então não, eu não quero mudar de curso. Meu problema é outro. É mais profundo e esquisito. Tenho essa sensação constante de que estou presa no tempo e espaço. Não tenho vontade de fazer nada." ... Caraca, o que dizer? É isso mesmo. É isso que eu sinto e até então não conseguia descrever.

    "Há anos me afastei dos meus amigos de colégio por causa da faculdade porque eu só queria chegar em casa na sexta e dormir pra recuperar o sono que não tive na semana." Sabe que eu sinto exatamente a mesma coisa? Eu deixei tantas pessoas de lado porque "precisava" estudar, precisava focar na minha carreira, precisava isso e aquilo... No fim meus amigos seguiram suas vidas sem mim (e eu não os culpo) e eu continuo aqui. Ontem mesmo eu vi os snaps de uns amigos em uma reunião na casa de uma amiga que costumava vir direto aqui em casa, passávamos horas conversando... E hoje passo meus dias sozinha. E parece que eu me isolo cada vez mais, mesmo sem querer. Sei lá. Tudo tão complicado.

    Me resta desejar que nós duas encontremos soluções pros problemas.
    Queria deixar algo mais animador escrito aqui, mas considere esse o meu abraço virtual e a certeza de que tu não tá passando por isso sozinha.

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  2. Amiga, me abraça. Eu, que já mudei de curso 3 vezes and counting, entendo muito quando alguém diz pra outra que nossa, ela devia fazer outra coisa da vida, mas honestamente acho que insatisfação a gente encontra em qualquer lugar. Eu posso amar demais cinema, mas eu ainda vou odiar alguns professores e vou odiar algumas matérias específicas e é isso. Nada é perfeito, paciência, não é porque a gente estuda o que gosta que tem que ser oba-oba o tempo inteiro. E eu entendo demais demais quando você diz que o problema não é seu curso, mas seu desânimo, a falta de vontade de fazer as coisas, até mesmo coisas triviais. Nossa, tipo, me abraça de novo? Tipo, oi, me sinto assim o tempo inteiro? É até meio absurdo quando a gente para pra pensar que fora de casa as coisas ainda pareçam as mesmas, mas que quando a gente coloca os pés em casa, de repente, tudo fica meio esquisito. Eu não deveria me sentir bem assim em casa também? Uma das minhas maiores frustrações por ter amigas que moram longe é que, por mais que a distância não seja física, não poder fazer coisas bobas, sabe assim? Tipo, nossa, a vida seria muito boa se a gente pudesse marcar uma festa do pijama agora e assistir uns filmes bem horríveis juntas, sabe? Mas a vida segue. Só posso torcer pras coisas ficarem melhores e que num futuro nem tão distante assim, a gente possa, senão morar na mesma cidade, pelo menos no mesmo estado.

    beijo, te amo <3

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  3. Eu comecei a ler seu texto e pensei em separar alguns trechos para comentar sobre, mas aí vi que tava selecionando (juro) o texto todo e achei melhor um comentário num geral. Eu me formei em jornalismo e adoro, não vejo a hora de voltar pra área, mas o problema não foi a faculdade. Eu me afastei (ou se afastaram?) de vários colegas da faculdade e do ensino médio porque eu estava numa fase tão fodida (e pior que essa) que eles simplesmente não quiseram (puderam? aguentaram?) continuar ali e, ok. Nunca vou poder gritar sobre isso, mas paciência. As pouquíssimas amigas de perto estão ocupadas demais (cursinho e casamento) e as outras, longe demais, também ocupadas. E eu sei que também me isolei, sei que o que eu chamo de preguiça é uma tremenda apatia pelo mundo e, olha. Como eu sinto falta de mim. De me emocionar etc.

    E, no final, nem sei o que acrescentar sobre isso. Mas fica aqui um abraço <3

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  4. Sei como é perder esses amigos com o passar do tempo porque isso sempre acontece comigo! Sou uma pessoa que não vai atrás dos outros, não porque não goste e tal, mas é porque sou assim, é meu jeito, e isso afasta muita gente. Já perdi a conta de quantas pessoas perdi pelo caminho, e que morro de saudade.

    Fica bem, e força!

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  5. Conforme a gente vai se focando nos estudos, alguns amigos vão se afastando. Normal. Ou as pessoas nem se afastam, até te convidam pras coisas, mas são coisas a que nem sempre tu pode ou tem ânimo pra ir - tipo festas; não lido com festas; adoro meus amigos, mas nada de festas tuts-tuts-tuts ♪ apenas não.

    Mamis esses dias veio com o papo de "tu deveria fazer Letras". Legal que quando eu quis Letras e, de fato, passei no vestibular, foi todo aquele sermão que eu ia morrer de fome, hahahaha

    Mas tudo vai se ajeitar. Um abracinho e um sorvete. ;*

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  6. Acabar se afastando dos amigos de antes de faculdade é horrível mesmo. No meu caso aconteceu de um jeito meio natural porque fui morar fora e, quando voltei, já estava entrando na faculdade e não havia mais aquela conexão com os amigos antigos. Sofri bastante com isso, e ainda sofro, porque me sinto bem sozinha às vezes. Fiz alguns amigos na faculdade, mas poucos que eu considero mesmo, e mesmo eles sinto que não me consideram tanto... Mas faz parte, sabe. Sempre me disseram que a faculdade ia ser a época mais social da minha vida... Não é. Acho que eu não sou uma pessoa muito social.

    Tô comentando bem atrasada, mas espero que você volte pra cá pro blog.
    Beijinhos. ;*

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