sábado, 13 de junho de 2015

Long distance relationship

Quando tinha 14 anos, eu costumava manter um fake de desenho japonês no finado orkut e frequentar uma comunidade chamada "Bar Shinigami" (mais alguém?) onde haviam vários ~ambientes~ com vários focos de conversa. Lá conheci muita gente bacana na internet e cheguei a ter um namorico à distância, coisa que sempre tive vergonha de falar porque naquela época isso era coisa de gente esquisita e fora dos parâmetros. Hoje é coisa de gente sonhadora demais, mas enfim. No Bar Shinigami conheci o Rodrigo, um guri que tinha minha idade e que ~me deixou de forma amigável~ pra namorar outra menina pela internet. Nem lembro muito sobre as coisas que a gente falava, mas lembro que mandei uma carta com uma pulseira com um pingente de arroz escrito nossos nomes e que doeu ter terminado com ele mesmo sem nunca tê-lo visto na vida. 

Sete anos depois cá estou eu em mais um relacionamento à distância. Já me chamaram de louca, de sem-noção e disseram que eu só tinha um amigo e não um namorado, mas gosto de acreditar que o que eu tenho é muito mais que isso. Eu convivi com essa pessoa por três meses. Tivemos coisas reais. Momentos maravilhosos, momentos fofos, momentos em que eu parecia um cabrito assustado e momentos que eu preferia que tivessem acontecido de formas diferentes. Mas isso é só a vida acontecendo, né? Pois bem. Decidimos continuar namorando à distância e no começo NÃO. FOI. FÁCIL. Nem pra mim, nem pra ele. Ambos somos cabeça dura e discutimos coisas ínfimas como situações hipotéticas que tiraram o carrinho dos trilhos, mas sabe quando a pessoa te manda uma carta dizendo que te ama e que você não é fácil, tampouco ela, mas que quer fazer dar certo porque encontrou uma luz em você e porque seu sorriso derrete ela por dentro? Então, gente. Eu só posso acreditar no amor dessa forma.


Sou uma pessoa bem maleável em dar chances, até encher o saco e simplesmente apagar a pessoa da minha vida pra sempre. Sabem O Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças? Esse é basicamente o jeito que reajo com certas pessoas que me desapontam em grandes níveis da vida. Nunca. Existiu. Portanto conversei sobre isso com ele e chegamos à conclusão que essa seria a última vez que tentaríamos fazer o relacionamento dar certo e, nossa, que coisa maravilhosa ter dito isso porque agora os dois estão trabalhando de fato por algo melhor. Não sou boba, entretanto, de dizer que tá perfeito. Não tem presença, o que é uma das coisas mais importantes em um relacionamento. Mas também não estamos à toa: fazemos planos. Planos a curto, médio e longo prazo e isso torna TUDO mais fácil de lidar. Isso aprendi com ele. Sempre fui uma pessoa avulsa e espontânea. Ele falou "amo isso em você, mas é importante ter um plano nesse tipo de namoro". Às vezes deixo a parte racional com ele enquanto me derreto com nossos skypes cheios de risadas e beijos na tela (é), mas logo a ficha cai que a gente tem que juntar dinheiro para sermos um happy shiny couple juntinhos de novo.


Namorar à distância não foi algo que desejei na minha vida (jura?), mas tem gente que vale à pena. Tem gente que abre sua cabeça para coisas diferentes (músicas que você nunca pensou que fosse parar pra ouvir em casa, por exemplo). Tem gente que faz a gente soltar um riso fácil e faz a gente questionar todo dia "por que, universo, tão longe?". Tem gente que chega de fininho nos sonhos da gente e beijam a alma. Tem gente que provoca uma dor física quando tá longe e essa mesma pessoa faz das palavras um casa em que vivemos sob o mesmo teto. É isso, um relacionamento normal, com a única diferença que não podemos nos tocar. Não é por isso que deixa de ser real.

Eu só queria que as pessoas entendessem que dá pra gostar/amar sim estando distante. Tenho as melhores amigas da vida espalhadas pelo Brasil e embora ainda não as tenha visto de perto, acredito na existência e na importância de cada uma na minha vida. É preciso encorajar as pessoas a não terem medo de quem elas gostam, sabe? Você tá feliz? Vocês tem planos palpáveis de se ver? Então vai sem medo. Acredite e seja feliz. Se não deu certo, pelo menos você vai saber que tentou e não ficar vivendo na base do "e se...". Spread the love, people!

3 comentários:

  1. Que coisa linda Larie! Tem gente que diz que é impossível se manter fiel nesse tipo de relacionamento, eu digo que se você ama uma pessoa de verdade você pode estar aqui e ela no Japão, você ainda vai preferir esperar o tempo que for pra estar junto e cuddle e ver filmes. É nisso que eu acredito pelo menos.
    Acho super corajoso da parte de vocês investir tanto assim nesse sentimento, porque não é fácil né? Saiba que estou aqui torcendo por vocês <3

    beijo!

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  2. Amei!
    Sim, há pessoas que fazem valer o relacionamento a distância. Vivo num há 2 anos, né? Concordo completamente.

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  3. Oi, Larie

    Eu conheci um casal pela internet, eles casaram ano passado. Eles namoraram à distância por uns três anos, eu acho, até terem condições de poder morarem juntos. Ela morava em Curitiba, ele morava em Foz. O que eu achei mais fantástico é que as madrinhas do casamento, por exemplo, foram todas amigas que a noiva fez na internet! Eu naquele casamento fui totalmente isso também! Quer dizer, nos conhecemos na internet, vivemos coisas reais mesmo longe e tudo deu certo. É bem o que você disse mesmo: O contato ser virtual definitivamente não torna a experiência menos real. É difícil, mas, como você disse, tem gente que vale a pena.



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