segunda-feira, 18 de maio de 2015

Education

Meu irmão já foi diagnosticado pela minha mãe e pelos seus amigos como uma criança/adolescente que tem problemas de aprendizado e déficit de atenção. Por um tempo acreditei que sim, afinal, Rodrigo desde que tem 6 anos dá trabalho na escola na hora de fazer o dever de casa e na hora das provas. Mas depois que ele passou por uma série de psicólogos e psicopedagogos e todos disseram que a mente dele é perfeitamente normal e inclusive o menino é muito esperto e ligado, comecei a olhar mais pro caos do ambiente mesmo. 


Nenhuma pessoa é igual, mas os pais insistem para que os filhos sejam o destaque da turma. Eu nunca fui. Fui aquela aluna mediana que sempre ficava de recuperação em matemática (da 5ª série ao 2º ano do ensino médio). Era aquela aluna que morria de medo de entregar o boletim pra minha mãe porque ela sempre foi muito rígida. Era aquela aluna que sempre estava de castigo e ouvia constantes ameaças da mãe que ia me mudar pra escola pública. Amava quando ela não tava por perto e pedia pro meu pai assinar o boletim, inclusive. Isso resultou nesse problema absurdo de ansiedade que eu tenho. 

O mesmo acontece com Rodrigo, só que pior porque ninguém tem paciência pra ensinar nessa casa. Meu pai é completamente alheio e diz "uma hora ele acorda e aprende sozinho", eu prefiro sair de fininho do que gastar a tarde inteira tentando ensinar pra enxergar na cara do meu irmão que ele está em outra dimensão e minha mãe, coitada, tá num estresse absurdo porque ela dá conta de TUDO sozinha, só que usa o método da decoreba que, claramente, tá sendo uma bosta pro meu irmão. O resultado? Meu irmão, além de ser ansioso e descontar em comida, está se tornando cada vez mais agressivo e teimoso. É um perigo. Às vezes tenho medo do que ele vai se tornar, juro. A concepção dele de guerras e armas é BIZARRA. 

Pausa
Apesar dele ser uma criança sensível em questão de animais e pessoas. Cês já viram uma criança/pré-adolescente que desde os dez anos fala pra mãe que não quer festa de aniversário e pede que ela dê o dinheiro pros nossos parentes que vivem numa situação deplorável no interior de Minas? Um pré-adolescente que não pode ver mendigo na rua que já sai catando as moedas de tudo quanto é canto pra dar? Acho raro, sabe?
Despausa

Hoje li uma entrevista na ÉPOCA com um psiquiatra em que ele fala que a educação precisa de mais amor porque estão criando um exército de zumbis. O mundo não precisa mais de pessoas que aprendam tudo igual e de um jeito só, cada um precisa desenvolver algo e as ideias que tem dentro e criar um mundo mais inovador e empático. Acho isso lindo. Mas como começar isso dentro de casa? Ontem percebi que meu irmão me ama e me odeia ao mesmo tempo porque meus pais compararam ele comigo. "A Larissa não dava esse trabalho todo" e, porra, pra que? Isso não vai ter nenhum efeito positivo. Só consigo pensar que meu irmão se acha um merda fracassado e que faz de tudo pra me afundar (tipo dizer que não tirei nota boa também), sendo que ao mesmo tempo ele chega no meu quarto olhando meio desconsertado pedindo pra que eu assine o boletim de recuperação dele no qual ele ficou abaixo da média (de novo) em três matérias ou quando ele disse pra mim "Di (ele me chama assim e vice-versa), por que você não pede pra mãinha te dar o dinheiro do inglês e eu aprendo com você? Prefiro como você ensina". Isso encheu meu coraçãozinho porque, pra falar a verdade, eu nunca me esforcei muito pra ensiná-lo e sempre meio que empurrei com a barriga. Aí penso "e se eu realmente preparar uma aula do caralho pra ele?" porque ele tá muito interessado no inglês. Ele me pede traduções de música, tenta traduzir sozinho no carro e enfim. Ideias. 


Eu queria ser um pouco mais participativa na vida do meu irmão e queria que meus pais se dessem conta de que não dá pra ser do jeito que tá sendo. Sei lá, às vezes assistir um canal no youtube com ele (o que ele passa HORAS fazendo) seria uma boa pra iniciar essa aproximação? Queria criar um modo de estudo que pudesse estimular ele mais com as coisas na escola porque realmente é um SACO o jeito que a escola trata algumas coisas. História e Ciências não eram pra ser matérias chatas na minha concepção, mas lembro que eu detestava decorar essas duas. Pra que decorar História, Meu Deus??? Matemática é disciplina e exercício, não tem outro jeito. Queria ajuda. Queria exercitar minha paciência e queria ajudar meu irmão mesmo. A escola não é um ambiente horrível. Queria que ele visse aquilo como uma oportunidade de aprender como as coisas funcionam no mundo e não como algo que ele precisasse decorar o tempo todo e que aquilo fosse objeto de castigo. 

Alguém sabe algum jeito?

4 comentários:

  1. Larie, aqui em casa o problema é parecido, só que a diferença entre eu e o meu irmão é de dois anos, só. Agora que eu entrei na faculdade, ele começou a se preparar pro vestibular (no ano que vem), sendo que o rendimento dele na escola está, para dizer o mínimo, péssimo, com três dependências e uma série de notas vermelhas. Eu nunca fui primeira aluna, mas eu raramente fiquei de recuperação na vida, mesmo nas matérias que eu odiava, e isso é sempre jogado em cima dele. "Sua irmã passou direto", "sua irmã não me dava tanto problema", "a sua irmã a gente via que estudava", etc. É foda, e eu odeio quando meus pais falam isso, de forma que eu mesma começo a intervir e falar mal de mim (????) pra ver se eles param de me colocar como a filha perfeita que eu não sou, nem nunca fui.
    De vez em quando, o meu irmão vem aqui no quarto pedir ajuda com alguma matéria. Eu ajudo. Mesmo química e física, que eu não sei nada. A gente senta e pesquisa junto, se o caso for esse. Parar tudo o que eu estou fazendo e ouvir as dúvidas dele foi o único jeito que eu encontrei de colaborar, porque, se eu vou até ele quando tenho tempo livre, ele diz que não precisa de mim. Acho que uma coisa que ele acabou criando foi essa ideia de que tem que aprender a fazer sozinho, porque eu aprendi sozinha, e pedir ajuda é mostrar pros meus pais que ele é incapaz.
    Diferente do seu irmão, o meu já teve uma série de problemas psicológicos por conta dessa pressão que ele sofria aqui em casa pra ser mais parecido comigo. Ele tinha dificuldades na escola que, por muito tempo, passaram batidas pro pessoal aqui de casa, porque ele não se sentia confortável pra falar com ninguém que estava tendo problemas (com as matérias e com as pessoas). Então a gente, quando "descobriu", começou meio que um ~~trabalho coletivo~~ pra fazer ele se sentir melhor no ambiente dentro de casa, pra fazer ele sentir que podia confiar na gente. Ajudou muito, mas eu não sei explicar como a gente fez.
    Meu irmão não acha que a escola é um ambiente horrível, porque ele consegue se enturmar, mas ele não acha também que seja necessário estar lá dentro. As perspectivas dele pro futuro variam entre "quero ser poeta" e "quero trabalhar por um tempo, fazer qualquer coisa antes da faculdade". É bem difícil fazer ele entender que aquilo lá é importante e vai fazer diferença na vida dele, mas estamos tentando. Acho que a questão principal é ter paciência, mesmo. Eu tenho a mania horrível de diminuir os problemas dele por já ter passado por situações mais difíceis, esquecendo completamente que, um dia, o que é um monstro de sete cabeças pra ele também já foi pra mim. Tento evitar isso também.
    Enfim. Acabei falando pra caramba e não sei se falei algo útil, mas achei muito bonito da sua parte querer ajudar, mesmo sem saber como. Boa sorte pra você(s)! Beijo grande. :)

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  2. Amiga, fiquei super tocada com esse post. Se eu começo a pensar no sistema educacional eu fico doida da vida, porque é muito injusto, muito quadrado, muito engessado, NINGUÉM É OBRIGADO SOCORRO. Tem um blog de uma professora de educação infantil que eu amo MUITO, e ela disse uma frase em um texto que eu nunca esqueci: se as escolas ensinassem mais sobre jogo de cintura e menos sobre complexo de golgi as pessoas seriam melhores. EU CONCORDO DEMAIS POIS "THIS", sabe? Tomara que você consiga ajudar seu irmãozinho (chorei com essa história do aniversário) e que esse modelo mude a tempo de salvar nossos filhos. Viva a Waldorf, hahaha.
    Beijos!

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  3. Acho que ajudaria se sua mãe mudasse um pouco esse jeito de pensar. A maioria dos pais parece ser assim, parece achar que o importante é o filho ter boas notas e pronto, como se isso fosse garantia de alguma coisa. Tem gente que estudou comigo sem tirar muita nota boa e hoje está aí, empregado e podendo pagar as contas perfeitamente. Ter dificuldade na escola não é ter dificuldade na vida. Lembro que minha irmã vivia tentando me ensinar a pôr acento nas palavras, mas eu não ligava muito. Hoje sei muito bem fazer isso. Tem coisa que a gente vê na escola e só entende mesmo depois de um bom tempo.
    Mas como mudar o sistema vai demorar demais, acho uma boa isso que você falou de usar o Youtube. Em matemática, o que me ajudou muito foi fazer o curso do Kumon, mas acho que nem sempre dá certo para todo mundo. Em português, o jeito é ler (começando por Turma da Mônica). Em história e geografia, uns filmes podem ajudar (mas não adianta só assistir; tem que ser uma sessão dirigida).

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  4. Amiga, primeiro de tudo acho que super funcionaria uma conversa franca com teus pais. Não da pra fazer comparações entre filhos PARA os filhos, isso é cruel!
    Depois acho que o melhor é ir se aproximando aos poucos do mano, fazendo coisas que ele gosta com ele, e criando esse laço, pra depois entrar no campo estudos, o que vai ser bem mais fácil se vocês tiverem mais proximidade, né?
    Vai dar tudo certo. Ele ta passando por uma fase péssima que é a pré adolescência e só quer carinho, atenção e amor! :)
    Beijos! <3

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