quinta-feira, 2 de abril de 2015

A tal da paciência

Assim que cheguei de viagem e fui numa das livrarias aqui na minha cidade, me deparei com um livro chamado Jardim Secreto cuja capa tinha um montão de flores, metade colorida e metade em preto e branco. Achei curioso. Resolvi folhear o livro pra saber um pouco da história e acabei encontrando um monte de desenhos ricos em detalhes dentro. Fiquei um pouco confusa nas primeiras páginas, admito, mas com o passar delas fui identificando que aquele era um livro que imitava aquela nossa atividade primitiva da infância em que sentávamos na mesinha perto dos pais e íamos pintar o boneco do toy story. Era um livro de pinturas para adultos. De início achei a ideia bem divertida, mas a medida que via o tanto de detalhes que tinha cada desenho daqueles, comecei a ter um início de dor de cabeça e deixei o livro na estante mesmo. 

Passados alguns dias, houve um boom de postagens nas redes sociais sobre esse livro e Analu postou no twitter dela algo como se sentir excluída por ver aquilo como algo que a aborreceria e não como uma boa ideia. Pouco tempo depois, algumas meninas da Máfia também se manifestaram e poucas de nós chegamos à conclusão que não tínhamos a menor paciência para aquela atividade e que, inclusive, ficaríamos mais estressadas se rendêssemos à proposta. E isso, depois de refletir um pouco, não é uma coisa muito boa. 

Na minha opinião, viver vai tirando a paciência da gente com o tempo e, por isso, sinto que na casa dos 40, 50 anos as pessoas simplesmente don't give a fuck pra muita coisa que desesperam os mais novos. Tipo quando sua mãe sai da fila do supermercado pra pegar só um arroz e você começa a passar as compras olhando pra todas as seções pra saber de onde raios sua mãe vai sair. Tudo isso enquanto dá um sorriso amarelo pro próximo cliente da fila. Na verdade, acho que os verdadeiros adultos já se estressaram com tanta coisa que a falta de paciência deles tem um direcionamento enquanto nós, jovens ou pelo menos a maioria dos que conheço, perdemos a paciência com muita coisa. Pode ser consequência desse rush que é viver hoje em dia também, mas cês me entendem. 


Pouca pessoas esperam pelas outras hoje em dia e, com vergonha, assumo que tô nesse grupo. Não tenho paciência pra ir pegar meu irmão na escola. Não tenho paciência pra mimimi de namorado. Não tenho paciência com cobranças. Não tenho paciência com nada, do fundo do meu coração. E isso é terrível porque minha perspectiva é virar uma dessas pessoas tão ranzinzas e chatas que nem eu mesmo aguente.

Por que estou escrevendo isso? Porque acho que esse livro mais uma crônica que li do livro "A graça da coisa" da Martha Medeiros foram sinais de que eu precisava refletir sobre esse lado impaciente. Na crônica, Martha diz que a gente perdeu a capacidade de aproveitar o presente pra só pensar no futuro. Por exemplo, na hora de cozinhar. Às vezes a gente só pensa no produto final e esquece de apreciar o momento que é escolher os ingredientes e ser criativo. Isso mexeu um pouco comigo porque me levantou um outro questionamento que vem me assombrando ultimamente: eu não estou sabendo viver no presente. Uma coisa leva à outra e de repente estamos vivendo para o futuro e não para o presente. E isso, meus queridos, é algo que eu não quero pra mim. 


Portanto me comprometo agora a comprar esse livro terrivelmente agoniante e transformá-lo em algo relaxante. Como também, a meditar e alongar meu corpo e fazer essas coisas de gente paciente porque, olha, não sei quanto a vocês, mas uma velha ranzinza não quero ser. 

5 comentários:

  1. De todas as minhas metas de vida, "ser mais paciente" sempre foi um item que mesmo que nunca tenha sido cumprido, também nunca saiu da lista. O problema é que, como você disse, a coisa foi ficando cada vez mais difícil com o passar do anos embora eu tenha começado a perder a paciência com coisas que eu não dava a mínima antes, também aprendi a relevar várias outras e acho que esse ciclo vai acabar se repetindo bastante. A gente cresce e certas coisas acabam perdendo importância mesmo, né? hahah Os ombros que alugo para minhas rabugentices que o digam.

    Boa sorte com o livro de colorir, eu já o folheei uma vez e olha, admiro sua atitude, viu? Hahahah eu provavelmente chegaria num nível de stress tão grande tentando preencher aquelas florzinhas minúsculas que na primeira linha fora do contorno, o livro ia voar janela abaixo!

    Beijo!

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  2. Menina, eu até gosto de pintar. Pinto mal, mas gosto. Mas é que é MUITO detalhe. E minha mão dói só de pensar. E aí eu me imagino irritada, com dor na mão, querendo trucidar aqueles detalhes e realmente não tem como dar em boa coisa - mas boa sorte na sua empreitada. Aprender paciência é realmente uma virtude!
    Beijo <3

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  3. Guria, quero acompanhar esse teu trabalho. Eu sou meio chata e ranziza agora, sendo nova, então tenho medo pelo meu futuro. Tem coisas que me estressam tanto que chega uma hora que eu simplesmente não consigo mais me estressar com tal coisa. Não sei se é perder a paciência ou perceber que não vale a pena. Só sei que faço isso, e depois que perco o interesse (e consequentemente paro de me estressar) eu muito dificilmente volto a querer aquele perrengue na vida, por mais que tal perrengue tenha sido bom em algum momento.
    Espero ser mais paciente algum dia na vida, porque agora só sou paciente com o que tenho que ser. Com o aquilo que eu poderia ser, nem tanto.
    Beijos!

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  4. Colorir é um puta dum exercício de paciência e perseverança... E olha, eu fiz um curso de férias de pintura com lápis de cor - sabe, daquele tipo que nem parece lápis? Então - e acabei me descobrindo ter mais paciência pra isso do que pra qualquer outra coisa.. claro que no começo é frustrante, mas você também não pode querer ser foda logo no primeiro desenho. Colorir bem leva tempo e prática, mas conforme você vai melhorando - aos poucos, mas visivelmente - você toma gosto pela coisa e quer fazer cada vez melhor então você demora mais, mas vai com calma... O segredo não é a força que você imprime no lápis-papel, mas sim a pigmentação e cara, é lindo! Eu to me coçando pra comprar um desses porque acho extremamente terapêutico e os desenhos são lindos!

    Se você se aventurar mesmo nisso meu conselho é: não force. Não force o lápis, nem o papel, nem seu ritmo porque senão realmente você vai acabar com uma puta dor na mão e um estresse maior do que o que você começou e isso estraga tudo! E vida às vezes pede calma, e pro nosso bem, a gente tem que aprender a ouvir uma hora haha

    beijos!

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  5. Eu achei a ideia do livro maravilhosa, mas certamente não é para todo mundo. Quanto à paciência... É uma coisa em falta, mesmo. Minha mãe vive me dizendo que eu sou muito estressada e até me faz ir ao psiquiatra por isso, sendo que a nossa geração inteira anda assim. HAHAHA. E eu também tô tentando aprender a viver no presente. Mal estou no começo do semestre e quero logo que ele acabe pra poder ver se consigo estágio e adicionar algum sentido à minha vida, como se tudo dependesse do próximo passo, e não do que está sendo feito agora...

    Beijinhos ;*
    nighght

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