segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

De volta à terra das palmeiras

Voltei pra casa com um bilhão de sentimentos controversos explodindo no meu peito. Se uma hora estou rindo e feliz da vida, na outra me bate um vazio do tamanho do mundo e começo a chorar. Isso é muito esquisito, mas segundo minha amiga que já fez três intercâmbios, é mais do que normal.

Voltar da Europa foi algo sufocante. Não por causa da minha cidade, mas pela saudade das pessoas que deixei lá. Meus amigos brasileiros que não sei se verei mais, meus amigos alemães, meu namorado. Sim, deixei um namorado. O nome dele é Oliver e, embora conste que ele é alemão na certidão, de sangue é polonês. Ele é lindo. E alto. E loiro. E tem olhos verdes E tem 45 cm a mais que eu. E é meio reclamão (mr Reclamstrasse). E me abraça muito. E aceitava os 50 beijos que eu dava nele num intervalo de dez minutos. E saia comigo pras baladas. E me mostrava músicas pop. E cantava backstreet boys. E dançava N Sync. E dormia de conchinha na cama de solteiro comigo (ou no sofá). E olhava pra mim com aquele anseio de "eu sei que você vai embora, mas queria te segurar aqui comigo". E pegou todas as lágrimas que derramei lá, quando estava deitada na cama com ele na última vez. 

Foi difícil. Está sendo difícil, apesar de estar amando não precisar colocar três camadas de roupas todos os dias e sentir o sol batendo na cara e, de fato, senti-lo. Receber abraços de pessoas queridas e marcar saídas com minhas amigas. É tudo muito bom. Fui muito bem recebida. Não está mais doendo tanto pra falar a verdade. Mas é só lembrar que ontem eu poderia estar jogando videogame com o amigo alemão e o namorado que o coração aperta. Meu apoio é a internet. Ainda bem que ela existe. Podia ser pior, repito na minha cabeça. Falo pelo facebook e pelo skype sempre que dá e isso alivia um pouco. Mas não alivia 100%. 

Acho que faz parte do aprendizado da vida: aprender a se desprender dos lugares que marcaram a gente e só levar o que foi bom. No começo dói, mas depois o que fica são as memórias a certeza de que tudo, absolutamente tudo, erros e acertos, valeram à pena. E como minha mãe disse "aqui não é o fim da vida, você ainda pode ver seus amigos e namorado se você quiser, é só ter fé e disciplina pra conseguir o que quer". 

3 comentários:

  1. Sua mãe tem razão (elas geralmente têm, né?). A gente tem que ter fé e disciplina pra conseguir o que quer e tem que aproveitar todos esses sentimentos dolorosos pra usar de impulso. Sempre em frente. Ainda que todo esse discurso motivacional ajude um pouquinho, imagino como deve estar sendo difícil pra você passar por isso.

    "...Isso alivia um pouco. Mas não alivia 100%" e eu já tô aqui chorando e me imaginando no teu lugar. Só me resta desejar força e que as memórias boas sirvam de consolo nas piores horas.

    Sempre acreditei que a pior saudade é aquela de alguém que não partiu, de fato, mas deixou de ser quem era... Nesse sentindo, seus amigos, seu namorado e tudo aquilo que você deixou pra trás não se perdeu, não deixou de ser, isso é, no mínimo, um pouco reconfortante né?

    Beijão!

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  2. Meu Deus!! Quanta emoção :)
    Espero que você se recupere e dê tudo certo.
    beijo

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  3. Ai amiga. Acho que já te disse praticamente tudo o que eu podia te dizer, mas ainda assim preciso, depois de ler esse desabafo, repetir: vai ficar tudo bem sim. Agora é tudo meio louco e incerto, mas assim que passar esse momento pós-chegada e as coisas se acalmarem, a vida vai entrar nos eixos e você poderá fazer novos planos que incluam tanto as pessoas daqui quanto as de lá. Tenho certeza que o que você viveu foi maravilhoso, mas o que ainda vai acontecer também será.
    Fica bem <3 beijos!

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