quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Sobre a terra das palmeiras onde canta o sabiá

Nesse fim de semana tive um daqueles momentos intensos de saudade de casa. E com isso quero dizer que deitei em posição fetal umas sete da noite do domingo (sempre ele!) e comecei a chorar baixinho enquanto olhava fotos do meu aniversário desse ano. Talvez tenha sido uma mistura do churrasco com a roda de viola, os dois shots de cachaça (eu não bebia antes de chegar aqui hehe), a promessa de que três dias depois eu voaria pra Europa ou o fato de que me senti muito amada por todo mundo ali naquele dia. Pode ter sido muita coisa no final das contas, mas a questão é que quando olho aquelas fotos me vem na cabeça que todo dia pode ser como aquele dia quando eu voltar pro Brasil. E isso afetou um pouco o jeito como vejo as coisas aqui na Alemanha. 

Passei minha segunda-feira sondando o brasileiros que trabalham aqui comigo sobre a vontade que eles tem de voltar pro Brasil e foi quase unânime a resposta do não. "Mas como assim?" me perguntava em silêncio enquanto tentava entender essa falta de saudade de casa do pessoal. Me parecia absurdo, na verdade, que só eu queria voltar pra casa dentro desse extenso grupo de pessoas. Ouvia um não e passava a refletir sobre aquilo. Mas e o pai, a mãe, o irmão, os bichos? Ninguém tem saudade? "Tenho, mas mesmo assim não voltaria", disseram-me vários deles. E aí eu passei a pensar em todas as coisas que amo onde moro como o sol, a praia, a tapioca, o acarajé, o caranguejo, o pão de queijo, o guaraná, a moqueca, o pirão, o churrasco, a orla, minha casa e a saudade apertou mais até que comecei a pensar que nenhuma dessas coisas eu aproveito sozinha. Tem sempre alguém junto pra tomar o sol, pra comer o churrasco, pra quebrar o caranguejo e ir na orla. Sempre. E entendi que essa minha saudade de casa na verdade é a saudade das minhas pessoas favoritas na vida. A Stephanie Perkins estava certa quando disse que Lar é uma pessoa (no meu caso, pessoas) e não um lugar.

Não achem, entretanto, que desmereço o Brasil. Não! Nosso país se mostra rico quando você vê de longe. Toda essa diferença e riqueza cultural de cada região, as praias, a abundância de comida, o jeito como as pessoas recebem as outras, enfim. Eu amo! Mas é frustrante pensar no potencial desperdiçado por causa do "jeitinho brasileiro" aplicado em todas as áreas da vida. No descaso dos governos e na violência (de todas as formas) das pessoas. Ninguém em sã consciência vai sentir falta disso, principalmente morando num lugar que você pode voltar por uma floresta escura às dez da noite sem ter medo de nada, só de almas penadas. Quando comparo essa parte, não tenho vontade de voltar, mas sei que seria mesquinha. O bom de morar fora é abrir os olhos pra o que a gente tem e aprender a olhar com carinho pra isso. Aprender que NUNCA podemos parar de lutar contra coisas erradas. Que nunca podemos desistir da educação, da segurança e da saúde públicas. Nunca! Uma hora a gente consegue. É um caso de perseverança ao cobrarmos (em massa) as coisas que nós temos direito.

quem te rejeita é insano, Aracaju <33
O primeiro mundo já passou por MUITA coisa pra chegar aqui. Não é de uma hora pra outra que as coisas vão mudar, eu sei, mas ajudar a conscientizar os outros é importantíssimo e fazer a sua parte todo dia (os alemães bem sabem) também. Quero ter mais motivos (são sempre bem vindos, inclusive) pra voltar pra casa além das coisas que citei acima e quero poder dizer com todas as letras: o Brasil é o melhor lugar do mundo pro mundo todo ouvir.

Plus: mostrei minha cidade pra um italiano que divide sala comigo e ele disse "até eu sinto saudade do Brasil desse jeito" <3

2 comentários:

  1. Larie, eu sou que nem você. Amo viajar, mas não consigo nem pensar a sério na hipótese de morar fora do Brasil. Gosto do lugar e gosto das pessoas. Fora daqui a gente com certeza ganha muito - mas perde também. Não acredito que nenhum lugar seja perfeito. Eu sou tão agarrada com minha Passárgada (rs) que quando fui pra Disney, aos 15 anos, passar 16 dias, a maioria da galera (fui em excursão de adolescentes) não queria nem ouvir falar em voltar. Eu no último dia já não aguentava mais olhar a cara do Mickey, estava sonhando em chegar em casa. Aproveitei tudo o que podia e fui feliz em cada minuto, mas durou o tempo necessário para eu voltar pra casa cansada e sonhando com meu mundinho, haha.
    Certamente sua viagem tá passando mais rápido do que você pensa, então tente aproveitar muito e deixar para focar na saudade quando já estiver perto de matá-la!
    Beijo beijo!

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  2. Tem uma frase do livro Eu Sou O Número Quatro que diz que "o que faz o lugar são as pessoas que estão nele" e, meu deus, como eu concordo com ela! Nunca viajei pra fora do país, mas sempre que me distancio um pouquinho que seja de casa, a saudade aperta. Gente, como eu sou apegada às minhas coisinhas daqui! E ficar longe da família às vezes me faz bem, mas eu faço questão de mandar pelo menos uma mensagem de boa noite. Concordo em gênero, número e grau com você quando diz que a gente ainda tem muito o que lutar pra conseguir alguma coisa e que é insistindo que se chega lá. Não perco a fé nesse povo brasileiro. A gente apanha desde sempre, mas não abaixa a cabeça nunca. hahahaha
    Beijo grande!

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