domingo, 31 de agosto de 2014

Vivendo la vida loca

Apesar de saber que algo incrível ia acontecer na minha vida depois do meu aniversário, agosto não me poupou nos primeiros dezesseis dias do mês. Torci o pé numa viagem maravilhosa que fiz com minha família e consequentemente não pude conhecer ao vivo e a cores minha amiga pudim, meu namorado virou ex, uma amiga da família que passou os últimos dez meses hospedada na minha casa morreu de CA e fui amontoada de provas e trabalhos que me tiraram o sono por vários dias. Tudo isso me deixou um pouco incrédula em relação ao universo e não achei que fosse sobreviver na viagem de avião se continuasse do jeito que estava, mas aqui estou eu escrevendo esse post vivinha da silva.

Há uma semana estou vivendo na Alemanha e o que eu aprendi aqui não cabe no que aprendi em 21 anos de vida. Na verdade, acho que se eu estivesse morando em qualquer lugar longe de casa eu aprenderia as mesmas coisas, mas o diferencial é a saudade que dá da sua língua quando você sai na rua e precisa de ajuda para qualquer coisa. Não sei se disse aqui na outra postagem, mas quase ninguém fala inglês na cidade que estou morando e cheguei aqui só sabendo falar Hallo, Nein, Ya então imaginem a minha situação dentro de um supermercado precisando usar o google translate in every damn thing que eu colocava na cestinha? Foi barra, galera.

O que aconteceu então foi que saí de casa recém ~adulta de verdade~ e carregando o pingente que minha mãe me deu como um símbolo de que ela estava entregando a chave da minha vida para que eu pudesse ser dona do meu nariz sem ter a noção do choque que ia ter aqui. Quer dizer, sempre sonhei com essa Europa maravilhosa, mas não ter as facilidades (carro, mamãe pra mandar eu fazer as coisas, etc) que eu tive no Brasil minha vida toda foi um negócio meio punk. Minha primeira semana foi HORRÍVEL e isso pode até parecer ingratidão porque, né, Europa, mas foi tão ruim que não consigo nem negar ou inventar uma boa história pra cobrir isso.

Eu estava passando por uma fase muito sedentária da minha vida fazia um bom tempo no Brasil e me deparei com MUITO CHÃO pra andar quando cheguei aqui. Tudo fica longe: o ponto de ônibus, o super mercado, o meu prédio de estudo, TUTO GALERA! No mínimo vinte minutos pra cada canto desse. Sem contar que minha casa além de ficar na floresta, fica numa colina, OU SEJA, minhas pernas nos primeiros quatro dias ficaram em frangalhos. No segundo dia eu não aguentava nem descer a escada de tanta dor que sentia na parte traseira da perna e, pra piorar my situation, o instituto é imenso e a gente teve que andá-lo inteiro para recolher assinaturas. Foi muito cansativo.

Somado a isso, minha mala demorou quatro fucking days pra chegar e já tive que gastar dilmas vezes três em roupas e coisas básicas. Sem falar que quando ela chegou, chegou um pouco detonada e só de pensar no quanto essa mala custou eu quero morrer. O fuso horário também atrapalha muito minha vida porque quando meus pais podem falar, já é muito tarde pra mim e daí estou extremamente cansada do anda pra lá anda pra cá e isso resulta numa pessoa deveras sonolenta no local de trabalho e, bem, isso não é legal. 

Outras duas coisas que foram fod* nessa semana foi o fato de eu não saber cozinhar, então passei fome porque passei uma semana comendo pouco e comendo muito mal (pizza e miojo). Entretanto, olhando pelo lado bom perdi tantos quilos aqui que saí da calça 38-40 pra 36 e, nossa, isso é demais pra mim, haha!! E me decepcionei com algumas pessoas logo de cara e isso é muito triste.

Mas antes que vocês achem que eu só tenho amarguras pra contar, quero dizer que a vida é bela, xóvens, e que ela ensina demais quando a gente está necessitado. Em uma semana eu aprendi a cozinhar o básico e inclusive cozinhei para os meninos que moram comigo o almoço de sábado e eles gostaram bastante. Investi dinheiro em algumas frutas e isso me ajudou MUITO no fator dor por causa das longas caminhadas (banana é vida), passei a admirar a floresta que eu moro todos os dias de manhã, passei a cuidar mais de mim sem depender de alguém e ser menos neurótica com a vida e aos poucos estou aprendendo a lidar com a língua alemã no super mercado e no meio da rua. 

Sem falar que esse fim de semana parece que foi um presente dos céus porque aconteceram duas festas e eu bebi pra ficar zonza pela primeira vez na minha vida e, gente, FOI DEMAIS. Don't send help. HAHAHA. Me diverti muito, conheci muita gente, dancei funk e ensinei os europeus a dançarem também (rolou bonde do tigrão TOP), flertei, me senti desejada (engenharia, obrigada por não ter muitas mulheres), conheci um rapazinho fofo e acredito que ele vá cuidar de mim aqui enquanto estivermos juntos nos cantos, fiz uma amiga que talvez vire minha bff aqui e fiz algumas coisas que nunca tinha feito antes (nada negativo). Então tá tudo ótimo. Aos poucos estou aprendendo a me virar e, como minha amiga disse, aos poucos eu vou aprendendo a viver. 


A pergunta que fica é: 

Por que nunca tive a coragem de fazer isso antes?

3 comentários:

  1. Caraca, Larie! Sempre imaginei que morar fora e ter que se virar rendia um aprendizado incrível, mas não imaginava que era tão rápido assim! Tem o que, 15 dias que você tá aí e já rolou tudo isso? Mal posso esperar por mais relatos! *_*
    Beijos!!

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  2. Larie, acho que esse foi o melhor post que li em seu blog em muito tempo! Não só pelas coisas escritas em si, mas pelo que eu senti quando li! Senti uma vibe muito boa que espero que se prolongue por muito tempo e um amadurecimento muito grande da tua parte! Tou adorando acompanhar, ainda que muito de longe, essa tua jornada. Volta mais aqui que eu adorei saber sobre o seu processo de ser tornar uma nova versão de você mesma. Beijos!

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  3. Adorei o post, Larie!
    Fiquei muito feliz de saber que você já passou da fase difícil e que agora está conseguindo aproveitar e tirar o melhor dessa experiência que já está sendo incrível. E que venham mais histórias, festas e coisas não-feitas riscadas da lista.
    beijos! <3

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