sábado, 23 de agosto de 2014

Deutchland

Se me dissessem há um ano que eu sairia para fora do país durante a graduação, eu não acreditaria. Meu plano sempre foi terminar a graduação, passar um ano trabalhando em alguma empresa, fazer o mestrado e o doutorado e, dentro das minhas contas, tentar conseguir uma bolsa de doutorado para estudar no exterior. Mas como a vida gosta de dar voltas, aconteceu muito antes do que eu imaginava e logo depois de um inferno astral nunca visto antes na história, cá estou eu aprendendo a viver numa república junto com três rapazes in the middle of nowhere na Alemanha e me preparando para começar a trabalhar em uma pesquisa na área de metais.

Absolutamente TODA a atmosfera é nova pra mim: morar fora da casa dos pais, dividir casa com gente diferente (only men), morar em outro país numa cidade que poucos falam inglês, trabalhar com coisas relacionadas a metais, cozinhar (MEU PRIMEIRO ARROZ FICOU UÓ KKKK), aprender a domar a saudade, andar a pé e morrer de tanto andar, me sentir o próprio McCandless no meio a floresta. Tudo. E da mesma forma que está sendo incrível, aterroriza um pouco às vezes.

Minha casa, por exemplo, fica tão no meio do mato (uma floresta linda que você se apaixona todo dia) que nem o Maps consegue localizar e perto daqui tem um hospital que antigamente era um hospital pediátrico e houve um incêndio que matou muitas crianças e pelo que sei, elas foram enterradas na floresta aqui na frente de casa. E a casa do nosso vizinho, como se bastasse, já sofreu investigação paranormal. OU SEJA. HEHE. Não tá fácil ouvir barulhos aqui e manter a sanidade. Não mesmo. O cenário é um típico filme de terror. Mas cantando a música do Bob Esponja dá pra encarar tudo. HAHA.


























Minha cidade, Geesthacht, é toda bonitinha e parece que foi feita para bonecas morarem.  É bem silenciosa e quieta e às vezes você sai umas 15h e não vê ninguém na rua. Claro que isso se torna meio agonizante quando você volta sozinho andando no meio de uma floresta cheia de histórias, mas aos poucos acho que vou acostumando.

Uma coisa que achei legal e gostaria de compartilhar é que os alemães, ao contrário do que pensam, não são frios. Estou adorando quando conheço um nativo novo ou preciso pedir informação porque eles são muito queridos, sabe? Mesmo que eles não saibam falar inglês (a maioria aqui na cidade não entende), eles tentam te dar suporte o máximo que conseguem. Tanto na empresa, quanto no aeroporto ou no supermercado. Ontem mesmo, por exemplo, me perdi voltando pra casa (OMG TODAS AS RUAS PARECEM IGUAIS) e uma senhora me ajudou e hoje quando eu estava passando na rua, ela me deu tchauzinho.(<3). Né uma fofa?

Por fim, o instituto que irei fazer a pesquisa é a coisa mais enorme e incrível que vi na vida. Tem de tudo lá dentro na minha área e vocês não sabem o tamanho da minha surpresa quando descobri que ele foi um instituto de pesquisa de energia nuclear na segunda guerra. TIPO, UAU, NÉ. Além disso, do lado de fora tem uns bunkers da guerra que estão meio destruídos e a minha imaginação já foi longe tantas vezes que perdi a conta.


Bom, acho que para o começo está bom. É capaz de usar meu blog como um diário semanal ou algo assim porque aí conto pra vocês como está sendo viver na natureza selvagem e depois vou ter a experiência toda arquivada aqui pra mim!

Tchuss!

4 comentários:

  1. Cara. <33333333 Espero que você tenha muito sucesso aí e aproveite demais o intercâmbio. Mano, que coisa maravilhosa poder realizar um sonho antes do planejado; imagino o quanto as suas sensações devem estar a mil! Parabéns pela conquista e tenha ótimos estudos por aí.

    ternatormenta.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Jesus amado! Depois que eu soubesse dessa história da tragédia no hospital e as criancinhas enterradas, eu só passaria por essa floresta correndo! Moooorro de medo dessas coisas kkkkkk
    Adorei teu blog, tens aqui uma seguidora!
    Beijos <3

    http://queroguardarpmim.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  3. Larie, como eu te disse, essa experiência certamente vai ser inesquecível e esses 6 meses, que hoje parece muito tempo, vão passar num piscar de olhos. Espero que logo logo você perca esse medo da casa (eu ficaria surtada se passasse 6 meses com medo) e que nada de esquisito aconteça! Uma ótima estadia, um ótimo estudo, e ótimos relatos, porque estaremos sempre curiosas!
    Beijos! <3

    ResponderExcluir
  4. Larie, por favor faça um diário de viagem, quero muito ler!
    Essa experiência vai ser incrível pra ti em todos os sentidos, tenho certeza.
    Beijos!

    ResponderExcluir

Meu estágio, minha vida

Há cerca de dois ou três anos eu costumava escrever bastante sobre os sufocos que passava na universidade. Falava muito sobre minhas dúvid...