segunda-feira, 11 de agosto de 2014

About a girl and her guitar

Pelos textos que leio em diversos blogs, todo mundo da minha geração já nasceu ouvindo música. Seja no radinho ou na vitrola, Ivete Sangalo ou Oswaldo Montenegro, Iron Maiden ou Beatles, alguma coisa foi ouvida e acabou fazendo parte do que essa pessoa é hoje. No meu caso, foi uma coisa meio louca porque meu pai além de gostar de rock, gosta de MPB e minha mãe ama samba e forró pé-de-serra, então definir a minha identidade musical sempre foi uma coisa complicada. Não é sobre ela, entretanto, que venho falar hoje. Na verdade vim falar um pouco da minha relação com o violão mesmo.

Meu pai costumava tocar violão em barzinhos quando estava na faculdade e conseguia tirar sua pequena renda disso. Até que, muitos anos depois, ele se casou com minha mãe e os bares consequentemente ficaram para trás, apesar de que a presença de um público para ouvi-lo tocar sempre existiu. E nesse caso quero dizer nas reuniões de famílias e amigos que meus pais sempre fizeram.


Quando tinha uns seis anos, então, depois de muito ver meu pai brincar com o violão e admirá-lo tocando modinhas quando já tinha bebido algumas latas de cerveja, disse a ele que queria aprender a tocar alguma coisa e ganhei um teclado que infelizmente só fez criar poeira em cima do guarda-roupa. Acabei esquecendo então da ideia maluca de que eu tinha que tocar algo e fui ser feliz cantando minhas músicas de Sandy e Júnior.

Só que aí eu cresci, tinha quase dezesseis anos quando fiz uma viagem muito life changing pra Brasília para rever uma amiga que não via há quatro anos. Lá fiquei encantada com o panorama de vida dela que se resumia a ir pra escola e tocar violão com os amigos sempre que podia. Eu tinha a escola, mas não tinha violão e comecei a observar que todos eles eram mais felizes tocando e gostavam mais ainda quando outras pessoas se juntavam e cantavam. Eu, que sempre estou em busca da felicidade, queria toda essa energia pra mim também e a partir desse dia resolvi que queria aprender a tocar violão e voltei matutando essa ideia enquanto chorava de saudades da amiga no avião.

Assim que cheguei, pedi ao meu pai para me arranjar um professor já que ele era muito ocupado e recebi um não como resposta. Ao contrário de muita gente e do que nossa renda nos permite, ele disse que não ia pagar aula de violão coisíssima nenhuma e que se eu quisesse, aprenderia sozinha porque “estava no sangue”. Mesmo derrotada, foi o que fiz. Abri o Cifraclub pela primeira vez e tentei tirar uma música de Avril Lavigne acompanhando as cifras. Foi um desastre, claro, mas acho que desistir nunca foi uma opçã e depois desse dia aprendi que persistência é tudo e mesmo que cinco anos depois eu ainda esteja aprendendo e ainda tenha dificuldade com algumas notas, não trocaria esses momentos que tenho com violão por nada nesse mundo. Agora tenho novas metas com esse meu querido amigo que dizem respeito a tocar e cantar na frente dos outros porque, pra quem não sabe, sou muito envergonhada nesse quesito, mesmo postando vídeos no instagram.

Recentemente, para minha alegria, toquei três músicas na frente dos amigos do meu pai quando teve um apagão aqui em casa e um amigo dele em especial ficou vidrado nas músicas e me chamou pra ser violeira nas rodas que eles faziam. Se tenho orgulho disso? Muito. Se tenho medo e vergonha? Mais ainda. Mas é como ele disse: “se a gente tiver medo, não faz nada”. E sabe de uma coisa? É pura verdade. Vou guardar isso para o resto da vida. A vida não acontece mesmo quando a gente tem medo. Caso contrário, eu não teria recebido elogios e visto o sorriso orgulhoso do meu pai enquanto ele me observava tocar e falava "canta mais alto, filha!".

Farei de tudo pra melhorar cada vez mais, mas de uma coisa estou certa:
seguirei tocando minha viola, mesmo que errada, mesmo que travada.
Uma hora vai.

5 comentários:

  1. Larie, tenho uma inveja do bem de quem toca violão. Acho muito bonito e fico babando enquanto observo alguém tocar. Queria aprender, mas tenho zero de disciplina. Sei que não levaria adiante. Então vou continuar por aqui, no cantinho, admirando ta?
    Posta mais vídeos no insta! :)
    Beijo <3

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  2. Então tenho viola mas não tenho disciplina... acho lindo quem tova violão e algum dia ainda aprendo.

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  3. Eu amo a subjetividade dos seus textos, Larie, amo. Já pensou em gravar um trechinho de você cantando ou tocando e postar aqui, no seu blog, pra gente ver e ouvir no volume máximo? Que tal?

    ternatormenta.blogspot.com

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  4. Larie, eu acho essa coisa de tocar um instrumento, qualquer que seja ele, uma coisa tão linda! É uma das grandes frustrações da minha vida não saber tocar nada, isso e não saber desenhar, hahahaha. Sempre quis aprender piano. Na casa da minha avó tinha um, que era da minha tia, e quando eu era mais nova minha avó e ela tentaram me ensinar umas músicas. Aprendi bonitinho e ainda sei tocar se fizer um esforço, mas é só. Lembro que meus pais até toparam me colocar no conservatório pra eu aprender direito, mas eu era uma criança muito ocupada (pior que era mesmo) e se fizesse conservatório não teria nenhum dia livre na semana pra brincar, aí desencanei #prioridades Aí uns anos depois meu primo começou a aprender violão, e nas férias ele tentava me ensinar, mas tudo em vão. Não conseguia nem os acordes do comecinho de Come As You Are, do Nirvana, que são as coisas mais bestas do universo. Aceitei que não levo jeito, e hoje só admiro de longe quem toca. Tipo meu primo, que aprendeu violão, baixo, guitarra e toca mais umas 18 coisas diferentes. Genética não é tudo na vida, hahaha.

    Acho que pra quem toca e tem uma relação tão íntima como o instrumento, como você tem, deve ser uma coisa incrível mas ao mesmo tempo assustadora se apresentar pros outros, mesmo que seja pouca gente. Porque né, eu pelo menos acho uma puta exposição. Mas acho que, pouco a pouco, você vai se soltando. Vai que um dia você vira hit no Youtube, já pensou? hahaha <3

    beijos!

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  5. Que coisa maravilhosa essa de tocar violão, acho lindo, morro de invejinha. Tomara que você consiga ir se soltando cada vez mais e compartilhando esse talento lindo com as outras pessoas. :)

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