segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A vida é isso

Minha vida toda precisei da ajuda de pessoas ao me redor pra conseguir tomar certas decisões. Com isso, já ouvi várias reclamações do meu pai dizendo que eu deveria aprender a viver sozinha porque não será para sempre que terei papai e mamãe do meu lado pra me dizer o que fazer e, até meu irmão, que na época estava com 5 anos, já disse pra mim num dia que ele estava aprendendo a andar de skate que o importante era a queda. Esta última parte chega a ser cômica porque uma criança já sabia mais da vida do que eu.

Daí tive que tomar decisões agora no começo do ano com relação à bolsa de iniciação, se iria terminar meu curso de inglês, se ia continuar na Engenharia de Materiais, planejar um possível intercâmbio, juntar dinheiro e seguir as metas que me propus pra 2014. E, assim, aos poucos fui tomando as rédeas da minha vida porque, no fim das contas, não importa o que digam pra mim, eu SEMPRE vou acabar tendo um ataque de insônia pra pensar “será que isso é bom pra mim mesmo?” e enfim ter a catarse que eu queria ter logo no início, quando as oportunidades acabaram de surgir.

Mas é que dá medo, sabe? Eu morro de medo de me jogar no mundo. Não sei se é porque não me acho adulta de jeito nenhum (sinto como se vivesse uma extensão dos 16 anos), ou se porque minha mãe foi tão protetora e controladora que eu não sei me virar sozinha. Eu tenho medo de viver só, apesar de me isolar no quarto. Tenho medo de quebrar a cara e cair num abismo de culpa sem fim. Tenho medo de decepcionar os outros, mas mais ainda de me decepcionar. E o pior nem é isso, o pior é saber que a vida é isso tudo que escrevi neste parágrafo. É pensar, agir, seguir o coração, resmungar com a razão, se sentir culpado, se recuperar e aprender. Sei disso. Mas tenho medo. E eu não quero deixar de viver, deixar de crescer como pessoa por causa disso.



E, já que não dá pra fugir pra terra do nunca, acho que está mais do que na hora de assumir a realidade. É isso.

6 comentários:

  1. Nossa tô na mesma situação! Será que o curso que eu escolhi é bom, será que vou passar, e o que vou fazer se não passar etc e ainda o feeling se arrasta pro ano inteiro .Acho que a gente só tem medo de uma palavra: futuro.

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  2. Larie, acho que isso que você escreveu é o que existe de mais difícil no mundo sobre crescer. Meus pais também sempre foram protetores e estiveram presentes nos momentos importantes da minha vida, mas hoje vejo que de certa forma eles me preparam bem pra isso. Lembro que no terceiro colegial eu senti a mudança, porque eu faltava bastante de aula pra ficar em casa estudando quando eu achava necessário. E sempre que eu ia pedir pra faltar pros meus pais (porque né, tava acostumada a pedir a vida toda), meu pai me dizia (e eu achava muito exagerado e brega): filha, a vida é sua, se você acha que tem que faltar você falta, se você não acha você vai na aula. Eu achava um draaaaama, mas agora, três anos depois, eu vejo o que ele tava fazendo ali.
    O mesmo com o vestibular, etc. Eles até me diziam o que eles achavam mais importante, inteligente, mas naquela hora do pânico, meu pai e minha mãe olharam pra mim e disseram: agora é com você.
    É assustador, apavorante, tira meu sono também, demais, e às vezes eu queria sacudir meu pai e minha mãe e gritar: POR FAVOR SÓ HOJE ME DIZ O QUE FAZER POR FAVOR QUERO OBEDECER SEM RECLAMAR
    Mas né. Too late.
    Enfim. Não é legal não, mas é o que temos.
    beijos

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  3. Ô Larie. É uma merda isso de ter que se responsabilizar pelas próprias escolhas, né? Bom era poder botar a culpa de tudo nos pais. Mas ao mesmo tempo é muito bom. Porque você também pode mudar tudo se quiser, voltar atrás, refazer, começar de novo. É bom poder controlar a própria vida, mesmo que no começo pareça difícil. Pelo menos é o que eu espero.
    E cara, "sinto como se vivesse uma extensão dos 16 anos" é uma definição de mim. hahaha
    Beijo!

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  4. Eita Larie, te entendo perfeitamente. Também morro de medo de me jogar no mundo. Aliás, morria, porque prometi pra mim mesma que 2014 vai ser diferente!
    Boa sorte para nós.
    http://www.doceilusao.com/

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  5. Somos muito parecidas nisso, Larie! Eu odeio tomar decisões também e morro a cada vez que tenho que fazer isso, mas as vezes é necessário. É parte da vida. Infelizmente neverland não é real. Espero que suas escolhas te guiem por caminhos satisfatórios.
    Abraços!

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  6. Larie, já te disse que pode contar comigo. Estou do seu lado no seu crescimento, como os seus pais. Aquele dia te dei aquelas dicas porque já fui igualzinha a você. Se você ler uns post da minha época do Ensino Médio, é outra Kamilla. haha Mudei aos poucos, mas ainda tenho medo, sou ansiosa e insegura. É com o tempo que vamos amadurecendo mesmo. Vamos aceitando a decepções e aprendendo com elas. E pelo tempo que já te conheço você já amadureceu bastante.

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