segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Será que o Alex leu até o fim?

Vocês não sabem, só as meninas da máfia e meu pai, mas sou super fã de um cara chamado Chris Mccandless que morreu um ano antes da pessoa que vos escreve nascer. Não vou contar a história dele porque já existem filme, músicas e livro sobre, mas gostaria que vocês soubessem que me propus a ler a lista de livros que ele leu só pra tentar entender mais e mais a cabeça dele (May, desculpa por não ter te avisado que eu li um dos livros!) e acabei comprando o livro A Felicidade Conjugal do Leon Tosltoi numa dessas tardes que você precisa esperar os pais pra ir embora e não tem livro nenhum pra matar o tempo.

A Felicidade Conjugal nada mais é do que um livro pacato sobre a vida de uma moça que se apaixona pelo homem que cuida das finanças da casa da família dela e que acaba descobrindo com o passar do tempo que o amor entre o casal não permanece o mesmo depois de um tempo. O Chris teve sua grande iluminação quando leu uma passagem, logo nos primeiros capítulos do livro, que a felicidade só é real quando se vive para os outros. Depois de ler o texto fiquei me perguntando se ele leu até o final, mas acho que sim. Enfim.

O amor no casamento sempre foi uma coisa me deu medo e que me angustiou muito porque eu sempre soube que o amor do começo não é o mesmo do meio e muito menos do fim. Eu realmente acredito na finitude das relações e sempre tento ao máximo ser otimista pra esse lado, mas sabe quando tudo ao seu redor parece dizer que o casamento é uma instituição falida? Então, ler esse livro foi o ápice.

Por morar com meus dois pais, sei bem o que é um relacionamento desgastado e isso não é nada legal. Há dias que tá tudo certo, há dias que o clima tá tão ruim que eu só prefiro ficar trancada no meu quarto enchendo a cabeça de um monte de coisas aleatórias só pra não escutar o que vem de fora. Eles se respeitam e ganham por igual, mas no fim das contas isso não compensa porque não há trabalho em equipe nessa casa e, pelo visto, em MUITAS outras também não, já que vejo tanto casal se separando. E daí eu fico com medo de me envolver demais. Meu ex-namorado e eu fazíamos planos de morar juntos e ter filhos e nos envolver nessa atmosfera de casados até que a ideia foi se tornando insuportável e terminamos. Meu namorado de agora é mais comedido e não gosta de falar sobre o futuro e ele tá certo, mas é óbvio que eu já pensei na possibilidade e só penso em brigas homéricas se a gente fosse morar debaixo do mesmo teto. E estou começando a achar que o problema é comigo porque apesar de eu adorar pessoas, também preciso de um tempo delas e, ai, se eu já expulsei o namorado por ficar muito tempo aqui, imagina morando juntos? Juro que não é falta de amor porque tenho toda a convicção de que eu o amo e torço muito pra que a gente dê certo, mas…e se eu estragar tudo?

Preciso trabalhar esse meu lado pessimista urgentemente. Gente, eu realmente quero ser feliz na minha vida de casada, caso ela exista, e quero que seja pra sempre. Eu sei que a felicidade não é algo fixo e que não vai estar lá todo santo dia na vida de alguém, mas eu não queria passar por grandes desgastes, desses que Tolstoi falou que após um tempo tornam um marido apenas um marido e nada mais. Eu não quero esse tipo de felicidade conjugal, desculpa.

Assustador é saber que isso não depende só de você.

Ai, eu penso demais.

5 comentários:

  1. Larie, eu também amo pessoas, mas preciso dos meus 0,50 centavos de solidão diária. Eu já tentei mudar isso, sabe? Já namorei pessoas que eram diferentes de mim porque pensei que se a gente gosta muito de alguém, a gente topa mudar um pouquinho e tal. Aí não deu certo e eu resolvi namorar pessoas mais parecidas comigo porque, enfim, se ela é parecida vai entender o que preciso. Não foi bem assim também. Então eu desencanei. Acho lindo quem sonha casar (e casa!), constrói casa junto, faz supermercado de mão dada e todas essas coisas fofas, mas eu não sou o tipo de pessoa pra isso. Ou talvez seja, sei lá. O que eu sei é que não adianta casar, morar junto, namorar alguém que não entenda você, que não entenda o lance das coisas mudarem, do amor mudar (ou acabar), das brigas cotidianas. Morro de falar que não quero namorar uma pessoa pensando em nunca brigar com ela. Eu sei que vou brigar, discutir, jogar almofada, chinelo, prato, tijolo (e provavelmente ela vai fazer isso comigo também), eu quero alguém que entenda que essas brigas fazem parte dos relacionamentos e me dê um beijo daqueles de deixar a gente sem fôlego quando acabar. E diga que a gente vai ficar bem. Pronto, com essa pessoa eu talvez case.

    beijo, ILariê ;)

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  2. Larie, eu pensava exatamente como tu. Porém não tinha motivos para isso porque sempre tive exemplos de bons casamentos na minha volta, sendo os dos meus pais um deles. Por algum motivo desconhecido eu achava que essa coisa de relacionamento sempre tinha um fim. Apesar disso sempre tive namoros longos. Eu insistia na coisa até não dar mais e saía mais magoada e, claro, pessimista.
    Mas aí um dia tudo mudou quando eu conheci meu atual namorado. Não sei o que aconteceu, nem parei para pensar direito, sei que todos esses pensamentos foram embora da minha cabeça e agora eu só penso em juntar meus trapinhos com os dele. hahahaha.
    Não sei, mas to sentindo que logo logo tu muda de ideia também! :)
    Beijo. <3

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  3. Larie, eu penso muito como você, me perco nessas ideias, nesses medos - e olha que nem namorado eu tenho! Isso se agravou, na verdade, quando eu namorei, porque tinha dias que eu simplesmente não queria ver o cara, não queria sair, não queria que ele me ligasse. Queria ficar na minha, eu preciso muito disso.
    Mas, ao mesmo tempo, tenho um mamute cor-de-rosa ultra romântico dentro de mim, e sonho muito com essa vida a dois. Acho que é tudo uma questão de equilíbrio, sabe? De muito diálogo e respeito mútuo, porque cada um tem suas neuras, suas necessidades, seus silêncios, e a consciência desse espaço, de saber que vocês continuam sendo indivíduos antes de serem um casal, é essencial pra que tudo dê certo.
    Não que eu seja alguém pra palpitar isso, mas pelo menos é o que eu acredito =)
    beijão!

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  4. CARAMBA. TEM CERTEZA QUE NÃO FUI EU QUEM ESCREVEU ESSE TEXTO? CARAMBA.
    Primeiro: #chateada por você ter lido sem mim! Não leia outro, porque amanhã mesmo vou atrás desse na biblioteca pra ler e comentar contigo! O próximo que você for se aventurar em, POR FAVOR, me avise!

    Eu tenho muito essa ojeriza de me imaginar casada com alguém. Essa coisa de que eu não vou poder nem dormir em paz, porque vou ter que estar o tempo todo com outra pessoa e ai, eu super vou enjoar o cara e mandar pastar. Só daria certo se a gente tivesse uma casa grande o suficiente pra termos nosso quarto, mas também um espaço em que cada um pudesse fazer o que quisesse. Eu teria um ateliê de artesanato + escrita + biblioteca e ele teria o que se interessasse por. Aí, quando a gente se irritasse e enchesse o saco um do outro, se refugiaria nessas coisas que realmente gostamos até nos acalmarmos e então voltaríamos pra conversar sobre a vida e dormir juntos fofamente. De quaqluer modo, preciso do meu espaço, do meu tempo, do meu ar... E quem dera tudo isso significasse falta de amor, porque em meio a tudo que falta, a única coisa que sei que tenho é muito amor pra dar e pouca gente que compensa pra receber e medo de entregá-lo a mãos erradas.
    Amei teu texto. Esteja sempre na minha vida. A gente combina.
    Abraços <3

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  5. Quero ler este livro também, Larie. Me interessei pela história. Olha, eu tenho ideias parecidas com as suas, mas acho que numa relação o mais importante é cada um ter o seu espaço para evitar discussões. Mas só sei isso na teoria mesmo. hahaha

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