domingo, 13 de outubro de 2013

16 anos e a necessidade de auto-afirmação

Não faz muito tempo que deixei de ser adolescente e, portanto, sei muito bem como era me sentir infinita há quatro anos.  Me sentir infinita era estar com meus amigos. Era ler um livro com um casal que me deixasse com a bochecha roxa de tão feliz. Era descobrir bandas novas. Era flertar numa festa. Era dançar em rodinha com os amigos sem nos dar conta que a gente dançava super mal. Era passar em matemática sem precisar fazer recuperação. Era participar de um festival de bandas cover daqui da cidade que acontece todo mês. Aliás, colocando tudo isso no papel, essas são coisas que continuam me dando um sentimento de que eu posso ser feliz pra sempre, mesmo que por um curto espaço de tempo. Mas não é esse o foco deste post.

Ontem resolvi que seria legal ir para esse festival de covers com minha amiga porque ia ter Paramore, Arctic Monkeys, The Beatles cover e a gente estava muito entediada para um sábado à noite. Pensei que seria bacana encontrar outros amigos que há tanto não vejo e conversar a beça, mas quando cheguei lá encontrei uma realidade completamente diferente para os meus olhos. Encontrei uma maré de rostos desconhecidos de dezesseis (ou menos?) anos bebendo cerveja e fumando e se vestindo de preto como se eles estivessem sendo total anti-sistem. Teve até essa garota que me olhou de cima a baixo porque eu não estava trajando preto e sim uma blusinha branca delicada. Isso me assustou de verdade e resolvi ficar confabulando com uma amiga coisas como “cadê os pais dessas crianças?”. E, na hora a gente ria, mas quando acordei hoje, fiquei realmente pesarosa por essa geração.

É óbvio que não são todos os adolescentes que se comportam assim, mas a quantidade está absurda. Meninas andando e tombando a cada dois minutos com uma garrafa de cerveja na mão, meninos cheios de espinha bebendo cerveja e conversando como se fossem adultos resolvidos, grupinhos de guris fazendo roda e fumando CHEIOS de pose. Gente, what the fuck is happening with the world? Não sei se virei uma dessas adultas chatas e quadradas, mas eu nunca precisei dessas porcarias pra me divertir. Que necessidade imensa é essa de provar que você tem maturidade? E desde quando maturidade tem a ver com ISSO? Porra, dá vontade de pegar a cerveja da mão deles e falar pra eles irem tirar o fedor de mijo. Não aguento.

Resolvi então confabular com um amigo meu que acabei encontrando por lá e ele falou que quando eu tinha a idade desse povo, também haviam várias pessoas assim, só que eu não enxergava e, talvez, pelo fato de eu ter amadurecido sem fazer nada do que eles faziam, eu tenha sentido um estranhamento muito grande quando de fato virei observadora. E, né, faz sentido. Ninguém quer dedurar o amigo ou o conhecido e sair por chato na escola, mas o que me entristece mais ainda são esses pais. A maioria que eu vi ali são filhos de ricos que estão se acabando no mundo. Minha amiga até falou “pô, eu tenho vinte anos e minha mãe ainda me liga se eu não chego antes de uma hora, pergunta com quem e onde estou” e pra mim essa máxima também é verdadeira. Daí novamente questiono “cadê os pais dessas crianças?”.

Nem sei porque escrevi esse post, só sei que estou muito enraivecida com esse tipo de gente que inventa de ter filho e os joga nesse mundão de Deus sem ao menos saber o que o filho está fazendo e com quem está andando. E não aceito a desculpa de “não dá pra saber mimimimi” porque eu SEMPRE tive que dar satisfação a minha mãe e quando não explicava direito, ela ia até o lugar e se apresentava a todo mundo. São micos e micos, mas hoje agradeço à ela por esse protecionismo, afinal, não me perdi na vida.

2 comentários:

  1. Minha mãe sempre foi extremamente liberal comigo. Não tinha que dar satisfações, mas eu dava porque eu sabia que não era legal deixar a mãe sem notícias, mas ela não me exigia nada disso. Ela confiava em mim, sabia que eu avisaria qualquer coisa e a vida seguiu assim. E quando eu era ~jovem~, conhecia muitos outros jovens que eram assim exatamente como tu descreveu. Talvez eu tenha sido um pouco assim, mas não é por falta de mãe e pai. Às vezes é só por que eles são jovens mesmo....sabe? Todo mundo passou por algo assim, se não assim exatamente, algo parecido. Sei lá, de repente eu sou muito liberal também, como a minha mãe. hahahaha

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  2. É tudo muito estranho mesmo. Até se vou na sorveteria com minhas amigas eu me sinto deslocada, parece que sou velha demais pras pessoas que andam frequentando esses lugares. e elas estão tomando conta da cidade, porque quando volto pra casa dos meus pais e resolvo sair, só dou de cara com esse tipo de adolescente.
    Mas é como seu amigo falou, elas sempre estiveram lá, só a gente não percebeu. É como um "não vivemos no mesmo mundo que eles". Sei lá, é tudo complicado hahaha mas tem muito pai por ai que realmente só bota o filho no mundo e deixa ao vento.

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