quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Sonhos dão trabalho

Ontem terminei de ler um livro maravilhoso do Paulo Coelho pela manhã e fiz minha última apresentação com o espetáculo Filhos dos Beatles pela noite. Podem parecer duas coisas totalmente aleatórias, mas no final, ambas entrelaçaram de um jeito que eu só acho que foi o destino conspirando pra me fazer escrever um texto sobre esse dia em que o fim de um livro resumiu o meu dia.

O Paulo Coelho era um desses autores que eu torço o nariz quando vejo na livraria por causa da quantidade enorme de críticas negativas na internet. Sei que isso é errado, que a gente não pode se deixar influenciar muito pela opinião dos outros, mas tenho medo de investir dinheiro em livros que não vou gostar, sabe? E pela quantidade de "perda de tempo" que já li nessa internet relacionado ao nome desse homem, eu preferia não arriscar. Segui minha vida assim, sem Paulo Coelho, até me deparar com um vídeo da Tatiana Feltrin falando dos melhores livros da vida dela e, veja só você, lá estava o "Nas margens do rio Piedra eu sentei e chorei". Como gostei do resuminho que ela deu, procurei o livro num sebo online e achei por oito dilmas. Sendo uma oportunidade de ouro, pedi ano passado, mas só peguei o dito cujo semana passada e acabei gostando mais do que pensava.

Lendo, dá pra ter uma ideia do porquê as pessoas não gostam dos livros dele: têm um quê de auto-ajuda que as pessoas não suportam, mas seja auto-ajuda ou não, eu me senti confortável degustando a história. É simples e se passa em volta de um casal que se reencontra depois de anos separados e que vão redescobrir um amor que vai mudar a vida de ambos. E que essa coisa de seguir os sonho dá trabalho e está muito ligada à abdicações outras coisas na nossa vida. E foi por isso que esse livro calhou muito bem no momento que estou vivendo.

Sempre achei o teatro uma coisa incrível. O ambiente, os atores, as luzes, a plateia. Quando era pequena, fiz teatro na escola, daí me mudei para Aracaju e nunca mais soube o que era atuar, até três meses atrás. Foi algo que mudou minha vida, minha perspectiva e que acendeu uma velha chama dentro de mim. Redescobri um antigo amor e sou totalmente apaixonada por ele. Trabalhar com arte é lindo, eu sempre soube, mas perdida entre tantos cálculos e teorias, eu nem lembrava da magia que era estar no palco e olhar para as pessoas e achar a sua família e amigos por lá. Indescritível.


Mas né, nada que é bom vem fácil e com isso não podia ser diferente. Escutei muito grito de diretor, chorei durante algumas noites, passei outras em claro por causa do nervosismo, descobri que tenho gastrite nervosa, fiquei doente de tanto cansaço e rouca em um dia de ensaio. Houve tanta pedrinha no caminho que eu até pensei em desistir, mas, como sempre, minha mãe disse que eu iria até o fim. E eu fui. E daí, eu descobri o quanto que os nossos sonhos dão trabalho. O quanto que a gente tem que investir para que ele deem certo e o quão gratificante é você atingir aquele objetivo específico que há tanto tempo queria. 


Hoje, eu faço questão de encher a boca pra falar que sim, eu faço teatro e que não, não é perda de tempo. Perda de tempo é se desgastar com as amenidades da nossa rotina. O teatro, ah o teatro, é outra coisa. ♥


2 comentários:

  1. Larie, acredito que se não drenasse nossas forças, se não fizesse a gente perder o sono, se doesse demais antes de ser incrível, não seria paixão, sabe? Não valeria à pena nesse nível meu-Deus-é-por-isso-que-eu-tô-viva!
    Viva o teatro e as paixões loucas da vida <3
    beijo!

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  2. Amiga que delícia ler esse post!! Geralmente sou eu que os escrevo, agora você é minha parceira nisso, ok? Me vi em cada linha, não preciso nem dizer. E, bem vinda ao mundo das crises, porque teatro é sinônimo de crise. Só o que tenho a te dizer, depois de 10 peças, é: VALE A PENA, SEMPRE VALE! <3

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