sexta-feira, 7 de junho de 2013

E eu que achava que gostava de frio

Parece que grande parte das pessoas que conheço preferem o frio ao calor. Eu me encontrava inserida nesse grupo desde que mudei do Sudeste para o Nordeste e que chegou no ápice quando descobri que as duas únicas estações que existem aqui em Aracaju eram o verão e a estação de trem (que está inativa). Haha. Nosso inverno, como todos que já estudaram Geografia na vida hão de lembrar agora, é baseado em chuvas e, dependendo dessa chuva, há a ocorrência de um fenômeno aqui que ficou conhecido por Alagaju. Resumindo, não é o tipo de inverno que todo mundo sonha, apesar de eu gostar muito dos dias chuvosos.

Achando que éramos a família mais couro de sapo do mundo, decidimos ir para Gramado, no Rio Grande do Sul, nesse feriado. Estava bastante empolgada pelo fato de que finalmente eu iria saber o que era frio de verdade e não estava com nenhum medo disso, só pensava nas roupas chiques, nas pessoas bonitas e, claro, que eu não iria suar feito uma porca. Durante todo o caminho da viagem de ônibus de Porto Alegre até Gramado, eu fui tentando imaginar se todas as pessoas eram tão bonitas quanto o menino que estava viajando ao meu lado e isso tudo acompanhado da melhor trilha sonora do mundo, vide The Killers e Death Cab for Cutie. Estava tudo tranquilo, até que o ônibus parou e eu coloquei meu pezinho pra fora dele.

A primeira impressão que tive era que “ah, isso aqui é tudo muito lindo!”, até que veio uma rajada de vento frio e que me fez tirar dois casacos da mochila. Meu irmão, tadinho, inventou de correr pra se proteger e se arrependeu amargamente depois. Um frio que depois só fez aumentar e só fez doer meu parafuso do pé. Um frio que me fez comprar uma luva assim que cheguei e que me deixou chocada com pessoas com tão pouca roupa. Um frio que me fez tomar chocolate quente, coisa que detesto. Um frio que me fez ter cãimbra dormindo porque meu pé saiu pra fora do edredom. Enfim, um frio de verdade.

Esse mesmo frio se repetiu por todos os dias que estive lá e, gente, posso assegurar a vocês que nunca fui tão feliz na vida como quando cheguei de viagem e fui recebida pela “baforada” quente do meu Nordeste. Lá no Sul, minha pele doía de tanto frio. Minha pele, meus ossos, tudo. Pra lavar o cabelo, mesmo com a água aquecida, passei por todo um processo chato de, após o banho, tentar não me encostar na parede, nem o pé no chão. Mas essa não foi a pior parte, a tensão mesmo foi tirar a maquiagem com a água da pia do banheiro que não era aquecida. Fiquei com meu rosto congelado por um tempo, até botá-lo perto do aquecedor (que era bem ineficiente).

Dentre essas, outras coisas não poderiam ter dado mais errado como meu dedão do pé ter inflamado. Tipo, não sarava de jeito nenhum, até porque meu pé ficava quase que 24h por dia dentro da bota ou de três meias ou dos quatro juntos. E pra vocês não dizerem que estou querendo enaltecer o Nordeste à toa, só foi chegar na minha cidade que o dedo mostrou sinais de melhora. Só posso acreditar que aquele mundo não foi feito pra mim, né? E eu que pensava em fazer Mestrado na UFRGS…PFF.

Depois dessa viagem, descobri que gosto muito do meu clima quente. Que o frio que eu gosto tá média dos 17º-20ºC e que, apesar de todos os contras de se morar num lugar calorento, meu lar sempre será mais aconchegante que qualquer lugar do mundo, por mais bonito que esse lugar seja. Calorzinho é vida, gente! Não dói, não maltrata (use protetor solar, claro, estamos falando de calorzinho) e você não precisa ficar parecendo aquele boneco que é símbolo da Michellin em certas situações. O Sul é rico, mas meu Nordeste é mais simpático.

Agora, a grande pergunta é: e o meu sonho de participar do Ciência sem Fronteiras pro Reino Unido? Como sobreviverei em temperaturas negativas? Ai de mim!

4 comentários:

  1. Eu acho que a gente se acostuma com o frio daqui. Eu amo. Mas também amo um calor!
    E eu super apoio teu mestrado na UFRGS por que daí nos veríamos sempre! <3
    E como assim tu não gosta de chocolate quente???
    Beijos!

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  2. Larie, você não sabe de como esse post me fez feliz! Porque eu vivo encrencando com a galera do Nordeste que diz pra mim que é muito melhor viver no frio, porque "a gente põe roupa e esquenta e no calor não tem o que fazer". E eu digo que já morei em Vitória, passo férias no interior do ES em todos os verões, e sei muito bem o que é 40 graus na sombra, e continuo sonhando em morar num lugar que seja verão o ano todo. Porque frio dói. Calor pode incomodar, mas frio DÓI. E eu sempre falo que o dia que as pessoas que acham insuportável viver no calor ficarem meia hora no ponto de ônibus às 19h, com chuva e 2 graus de temperatura, elas podem vir conversar comigo.
    Porque frio machuca.
    Beijos!!

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  3. O BONECO DA MICHELLIN! Obrigada, vem cá e me dá um abraço. Porque desde que me mudei pra São Paulo é assim que eu me sinto todo dia antes de sair de casa. O frio é tão incômodo, tão irritante e inconveniente... E isso vindo de alguém que conhece o calor como ninguém e passou a vida reclamando dele no verão. Hoje eu sou aquela louca corrente pro sol no intervalo das aulas.
    Sdds havaiannas. Meu amor verdadeiro.
    E, ei, que gracinha seu selinho de Máfia aqui do lado!
    Beijo!

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  4. Eu nunca saí do Nordeste na minha vida, então não posso dizer como o frio me faz sentir. Porém, nas vezes em que o clima dá uma esfriada, eu adoro demais. Fico pedindo aos céus que o calor não volte. Mas vamos combinar que o frio daqui de Natal não é frio, então eu não sei se gosto ou não dele.
    Espero sinceramente que eu e o frio sejamos bons amigos, porque eu quero fazer intercâmbio no Canadá e nós vamos conviver juntos por um bom tempo.
    Eu sempre digo que amo o frio. Mas agora, com o seu texto, percebi que ele me é algo desconhecido. E agora?

    Beijos e espero que o seu dedão melhore 100% :)

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