sexta-feira, 17 de maio de 2013

The biggest lie you ever told

Quem nunca se comparou com seu eu antigo que atire a primeira pedra. No meu caso, fiz isso tantas vezes que comecei a achar que minha vida de agora era um poço de sem-gracisse e que, na minha cabeça, eu era muito mais legal antes. Mas vejo agora que essa foi uma das grandes mentiras da minha vida. A começar que minhas alegrias de antes eram baseadas na leveza do meu dia-a-dia escolar, na minha primeira paixonite conquistada e nas viagens que eu fiz pra fora do estado. Submetendo-me assim ao famosíssimo e ilustríssimo erro de me apegar a momentos da minha trajetória de vida. Porque fato é que minha vida estava longe de ser um pedaço de bolo.

ainda tem isso
ainda tem isso, né.
Só para exemplificar a situação, escrevi uma pequena lista de coisas que deram errado nos meus “anos de glória” e que me ajudaram a ver que minha vida agora tem bem mais pontos fortes do que fracos: eu era manipulada (mais ainda), fazia piadinhas completamente sem noção e que hoje eu me julgaria uma retardada, fiz cirurgia, passei por tratamentos dolorosos de fisioterapia e – corre! – RPG, não fazia ideia do que era abrir um livro, me afastei do melhor amigo, fiquei de recuperação em matemática um monte de vezes, fiz uma amiga importante sofrer e era uma ficante grudenta, iludida e corna, na época. Ou seja, kd alegria? kd felicidade? Sem falar que eu era o cúmulo da insegurança e chorava por qualquer coisinha que meu mais maravilhoso eterno amor ficante fazia comigo, que se baseava em me desprezar.

É engraçado como a cabeça cria mecanismos para que a gente esqueça os momentos ruins tão facilmente. A dor, o sofrimento e as nossas urgências na época até parecem que nunca existiram, criando a ilusão de que tudo era tão fácil e tão mais claro. Se tudo era mais fácil, por que eu tenho um caderno, com datas da época, tão cheio de inseguranças?

Acordei pra vida. E mais feliz que nunca. Espero que quem passe pelo mesmo problema que eu tenha esse insight também, é revigorante.

4 comentários:

  1. A memória nostálgica faz isso. Mascara as coisas. Faz a gente pensar que tudo antes era melhor, porque ficamos com as coisas boas e esquecemos os problemas.. Que bom que você teve essa luz! Confesso que esse post me acordou um pouco pra vida também.. :D
    Beijos!!

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  2. Eu, que vivo constantemente no passado, achando que foi tudo mil maravilhas, preciso passar por esse insight para dar uma acordada. A vida não é sempre SÓ alegria, mas a gente custa a ver isso olhando para trás.
    Adorei! :)
    Beijos!

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  3. Sabe o que, Larie? Eu acho que é uma coisa boa a gente lembrar mais das coisas agradáveis do que ruins. Talvez seja só eu, mas eu quero terminar minha vida lembrando das coisas legais que aconteceram e deixar as ruins para trás, mesmo porque isso também prova que os momentos desagradáveis não têm tanta importância quanto a gente acha que têm no momento. O mais importante, para mim, não é lembrar das coisas ruins que aconteceram, mas manter sempre em mente que as coisas ruins que acontecem AGORA também vão passar e ser esquecidas, e que as coisas boas são o que realmente conta.
    Beijos.

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  4. Que boa reflexão de algo que acontece com tanta frequência na nossa vida. E melhor ainda é reconhecer que vc mudou pra melhor, que sua vida é melhor agora. Fazendo esta breve reflexão mental enquanto lia seu texto, reconheço que a minha vida também é melhor agora, tirando a falta de preocupação que eu tinha na adolescência, todo o resto é melhor nos tempos atuais. :)

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