sábado, 25 de maio de 2013

O espetáculo de uma vida

Eu nunca fui uma pessoa tímida. Sempre fui sorridente, animada e faladeira, mas em contraposição a isso, não cheguei nem pertinho de ser popular no colégio. Ser popular na escola em que eu estudava tinha uma GRANDE relação com poder aquisitivo, cabelo tingido, ser deusa e também avançadinha e isso claramente não fazia parte do que eu era na época. Aliás, até hoje eu fico nas sombras das bonitinhas porque, obviamente, meu padrão de beleza não é lá grandes coisas. Mas, guess what, isso nunca me impediu de conhecer várias pessoas.

A chave para se ter um bom papo é ser o mais espontâneo possível e isso, meus caros, eu não sei negar pra vocês porque, bem, eu sou espontânea. Meu signo, Leão, há de confirmar isso pra vocês e, se caso algum dia vocês conhecessem minha família, saberiam que não tem jeito de eu ser introvertida rodeada de um povo tão louco. Minha mãe é super sociável e meu pai é meio tímido, mas não tem medo de pegar um violão e impressionar todo mundo. Eu não podia ser diferente.

Mas há algo impressionante no meio disso tudo, o fato de que, apesar de eu AMAR ter a atenção dos meus amigos focada em mim, eu odeio me sentir/ser exposta. É sério, eu não sei como lidar quando estou sendo avaliada, seja por professores, seja por colegas de sala. Quando os holofotes estão virados pra mim num público que vai estar me analisando o tempo todo, eu simplesmente perco o chão. No período passado, por exemplo, isso aconteceu duas vezes. Numa delas o professor falou que eu me contradisse duas vezes durante a apresentação e, na outra, eu comecei a rir nervosamente e fazer piadinhas com o pessoal da sala e fui penalizada por isso. Então, para aprender a ser mais segura nessas situações, decidi fazer algo ousado. Algo que eu precisaria ser muito pés no chão para não morrer de nervoso. Algo em que eu seria avaliada por um monte de gente ao mesmo tempo e que não poderia fracassar no momento crucial. Eu decidi fazer uma oficina de teatro.

Minha paixão por teatro/cinema sempre existiu, desde pequena quando apresentei uma peça na escola. Eu acreditava, assim como tantas outras crianças, que eu poderia ser global e me atirei de cabeça naquilo porque, além de ser promissor, era tudo muito divertido. Só que acabei me mudando de cidade e o sonho tinha acabado. Passei anos da minha vida sem tocar nesse assunto com meus pais, até que vi o cartaz da oficina lá na universidade e falei pra minha mãe que seria algo legal para se fazer e que serviria como um desestressante semanal. Ela amou a ideia e inscreveu meu irmão junto.

Meu primeiro dia de oficina, não vou mentir, foi meio traumático. Tanto que pensei em não voltar lá porque o diretor da peça já botou a gente para desenvolver cenas imediatas. Fiquei bem nervosa, fiz uma cena estranha e morri de preocupação na sala de aula. Até que meus colegas me convenceram que ninguém está ali pra julgar ninguém, todo mundo quer aprender. Com isso na cabeça e com minha mãe dizendo “você inventou de fazer teatro num foi para perder o medo do público? Pois a senhora irá continuar”, fui para a segunda aula o caminho todo cantando pra relaxar e acabei nem precisando disso porque eu acabei me sentindo em casa.


Na aula de hoje, a segunda, grupos foram separados para que cenas fossem realizadas e todo mundo se divertiu e aprendeu muito. Arrancamos risadas do diretor com a nossa apresentação e cheguei até a me sentir vitoriosa numa delas, cantando vitória e dizendo para os meus parceiros “we are the best”. Mas a verdade é que todo mundo é incrível naquela oficina. Amo estar num lugar onde a criatividade paira pela sala de maneira gritante e amo mais ainda estar rodeada de pessoas tão alegres e risonhas.


Verdade seja dita: não sei como consegui viver sem isso por tanto tempo. Quem não faz teatro, não sabe o que felicidade de verdade. ♥

Um comentário:

  1. Eita, mais uma pra falar das maravilhas do teatro! Olha, mulher, sempre tive vontade de fazer, mas nunca coragem. Acho que não combina comigo. Mas deve ser loucamente divertido.

    Também morro de medo de me expor, não consigo lidar muito bem com essas situações onde eu tenho que ser avaliada na frente de geral e ainda tenho que parecer de boa com isso. E esse tipo de atitude não combina com uma jornalista, mas fazer o quê? Sou uma jornalista que não curte falar em público, deal with that, haha.

    Boa sorte na nova empreitada! :)

    ResponderExcluir

Meu estágio, minha vida

Há cerca de dois ou três anos eu costumava escrever bastante sobre os sufocos que passava na universidade. Falava muito sobre minhas dúvid...