terça-feira, 28 de maio de 2013

Notas musicais clandestinas

Todo adolescente, diga-se de passagem, tem a fase de querer se destacar entre os amigos. Eu já tive e tenho isso até hoje. Tenho amigos que se destacaram simplesmente pelas suas personalidades contagiantes, o que os ajudou a se tornarem populares, e outros que apareciam com coisas inusitadas, tipo cabelo colorido. E o foco específico desse texto são essas coisas inusitadas.

Quando fiz quinze anos, almejava mudar meu visual de alguma forma e eis que resolvi ir ao cabelereiro fazer alguma estripulia nas madeixas. Minha mãe, noiada do jeito que é, me impediu de fazer isso e somente permitiu que, se eu fosse pintá-lo, que fizesse uma mecha filha única. Eu fiz, porque queria desesperadamente algo para me diferenciar, e acabei saindo com uma mechinha tímida de dois dedos e meio de largura pintada de roxo que depois de um tempo foi ficando rosa, depois laranja e depois amarela. Meu melhor amigo da época, quando os fios louros tomaram conta fixamente do cabelo, fez o favor de apelidar meu couro cabeludo de “picanha”, por causa do contraste marrom e amarelo. Se querem saber, fiquei super feliz com a referência porque finalmente alguém reconhecia aquele meu ato de rebeldia. Enfim, essa saga permaneceu até meu cabelo chegar na cintura e eu fazer um corte radical.

Passou um ano e achando que eu não poderia mais causar, resolvi viajar para visitar uma amiga em Brasília e acabei voltando com um piercing no nariz e uma franja (que, até então, eu nunca havia feito). Foi tudo pura influência da minha amiga, até porque tenho nariz de batata e praticamente não tenho testa, mas eu estava me achando A atrevida/rebelde/too cool for school do momento. Voltei do distrito federal cheia de ideias na cabeça e, dentre essas ideias, inventei de aprender a tocar violão sozinha. E nunca imaginei que aquilo pudesse ser tão dolorido tanto pra mim, por causa dos dedos, quanto para os meus pais que tinham que ouvir aquela batidinha clássica de Dó Sol Ré Lá o dia inteireinho. Foi traumático pra todo mundo, mas hoje tiro uma palhinha humilde.

Bom, depois de aprender a tocar um teco de violão, conheci uma galera do rock muito bacana e muito alternativa. E daí resolvi que queria fazer uma tatuagem. Procurei por várias tattoos com significados musicais porque era a coisa que mais me pertencia naquele momento. E escolhi. Um Sol e um Lá que juntos formavam um coração e que ficaram guardadinhos na minha memória. Falei para algumas amigas naquela época e elas a acharam linda e simples e hoje, depois que minha amiga postou uma foto no instagram da tatuagem que ela havia feito, fiquei com vontade de fazer a minha.

Mostrei à minha mãe e ela concordou com a escolha, mas que fosse discreta e em algum lugar onde eu não enjoasse e, bem, eu já havia pensando nisso tudo isso quando tinha apenas dezesseis anos. Minha amiga, antes de ver a tattoo que eu queria fazer, me falou para fazer algo referente a um livro, uma vez que eu gostava de ler, e fiquei pensativa quanto ao assunto. Porque, assim, fazer uma tattoo com versos/palavras/citações, ao meu ver, é um charme, mas tem que ser algo de extrema relevância pra você.

Inicialmente pensei em tatuar um “Okay” do ACEDE porque aquele livro tem um significado enorme pra mim, mas depois, pensando bem, cheguei numa conclusão melhor. Pensei num conto maravilhoso que li nesse ano e que me fez abraçar o livro, logo nas primeiras páginas. Pensei em tatuar “Felicidade clandestina” por motivos infinitos e por motivos da Clarice Lispector conseguir representar a felicidade plena em um apenas um livro, um egoísmo de criança. Foi um conto que me deu uma sensação de preenchimento imensa e que, de fato, me preencheria se estivesse na minha pele.

Falei pra minha amiga e ela não me respondeu quanto ao felicidade clandestina, mas concordou com o meu coração musical. E, pra ser sincera, acho que farei mesmo o coração porque, apesar do conto ter me marcado muito, o coração está comigo há mais tempo. A ideia me parece mais clara do que nunca agora e sabendo que minha mãe está de acordo com as notas musicais e seu significado, acho que esse final já era esperado.

Eu só queria ser assim mais firme na hora de escolher outras coisas em outros campos da minha vida porque, contrariando toda minha procrastinação, acho que mês que vem estou indo lá na loja tatuar o símbolo dos meus 16 anos pra sempre. Queria que tudo fosse simples assim.

4 comentários:

  1. Já eu estou querendo fazer uma tatuagem tem um bom tempo e simplesmente não consigo decidir que marca fazer. É muita responsabilidade, sendo que ela vai estar em mim, teoricamente, pra sempre. Já mudei de ideia tantas vezes e por isso tenho certeza de que ainda não estou pronta, apesar da vontade ser enorme..
    Beijo Larie! Quando já tiver a tatoo, posta foto!!

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  2. Que bela história, e eu até queria fazer uma tatoo mas meu medo da dor me impede =s

    Bjinhos

    www.chadecalmila.blogspot.com

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  3. Minha tatuagem veio de um conto, Larie! "O Príncipe Feliz", do Oscar Wilde. E eu amo a tatuagem e o conto até hoje. Agora farei mais duas, porque tatuagem é uma coisa deveras viciante, pode escrever. Vai firme na ideia, se é o que você quer mesmo, e depois mostra pra gente como ficou!

    Beijos.

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  4. A minha tatuagem é um desenho que meu primeiro namorado fez. Fizemos juntos depois que já tínhamos terminado o namoro. Não me arrependo. Acho ela linda. Não desiste da tattoo e quando fizer posta uma foto! <3
    Beijos!

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