quinta-feira, 2 de maio de 2013

Não é fácil para os sonhadores

Não sei se vocês já tiveram essa sensação de estar conversando com uma música, mas hoje posso dizer que tive e vou relatar um pouquinho da experiência.

Conheci o The Raconteurs através de um cd que meu pai ganhou de um professor britânico que ele conheceu num desses congressos da vida. Meu pai nunca havia ouvido nada da banda e me chamou pra dar uma checada nesse presente inesperado. O que posso dizer que aconteceu é que o cd, Consolers of The Lonely, não saiu do carro durante uns cinco meses e acabou preenchendo qualquer trecho da cidade que a gente se aventurasse a ir. Foi uma relação de amor a primeira vista que ficou no repeat durante muito tempo e que um pouco mais tarde me influenciou a baixar o outro cd, Broken boy soldier.
Do Broken boy soldier devo dizer que o amor não foi tão intenso como foi com o primeiro e que os holofotes foram inteiramente voltados para três músicas apenas. Mas só uma delas diz respeito a esse post. Together. Together é aquela música com melodia doce do cd, sabe? Aquela que te deixa um pouquinho mais apaixonada, dentre outras reações açucaradas. Aquela que te dá vontade de ouvir sozinho vendo um pôr do sol na praia e pensar unicamente no amor. Pois bem.

Há algumas horas olhei para o relógio e me dei conta de que estou namorado há um ano e 2 meses e que deixei a data passar despercebida, assim como o namorado, e acabei pensando em mandar algum trechinho bonitinho de alguma música pra ele. Eventualmente mandei de outra música, mas acabei parando pra ouvir “Together”  e fiquei bem chocada ao prestar mais atenção na letra.

Em um certo momento, parece que a música ganhou vida própria e se pôs a conversar comigo. Ela me dizia, ao som daquela melodia calma, que estava preocupada comigo por ser uma pessoa sonhadora demais, por esperar que a vida agisse como no meu livro favorito. Ela me dizia que eu precisava aprender a viver e viver e aprender e aquilo encheu meus olhos d’água. Pois comecei a pensar em quantas vezes esperei certas reações do meu namorado e acabei me frustrando e em quantas vezes desejei um cenário perfeito com palavras perfeitas e só consegui mais outra frustração. Coisa difícil de lidar.

E daí fiquei pensando em como eu mudei desde que ouvi  o The Raconteurs pela primeira vez, em como já fiquei mais flexível e em como aprendi a domar alguns impulsos que tinha antes. E em como, ao mesmo tempo, eu também não mudei nada. Porque, no fundo, nunca serei totalmente pés no chão. Ao contrário, sempre esperarei a reviravolta no segundo ato e sempre – sempre! – olharei meio torto pra quem me disser que sonhar não é saudável. Parece coisa de gente cabeça dura ou até mesmo ignorante, mas é só a verdade. A verdade reclusa. Enquanto isso, sigo tentando viver nesse mundo real.

2 comentários:

  1. Como diz a minha querida Amélie Poulain, os tempos andam difíceis para os sonhadores.. E é difícil se controlar e não sonhar tão alto, para as expectativas serem um pouco mais fáceis de serem compridas. Não é se contentar com pouco, é apenas aprender a não fantasiar tanto.. Tamo na lida, flor!!
    Beijo

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  2. Eu gosto muito de conversar com músicas, Larie, e acho que se conseguisse sentar e escrever sobre tudo que penso quando a gente bate um lero teria que fazer outro blog só pra isso!

    Essa angústia de pensar em ter que viver e me conformar que a vida não é um livro perfeito ou um filme muito lindo, ainda que nem sempre feliz, é minha velha conhecida. Não me livro dela, mas também não sei viver sem sonhar demais, então meio que fica por isso mesmo.

    Beijo!

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