terça-feira, 20 de novembro de 2012

Uma banda, um filme e um texto

Estava eu a ver navios no blog Depois dos Quinze quando deparei-me com um post musical que a Bruna fez. Lá apenas uma das bandas realmente me chamou a atenção por já ter visto o nome em algum outro lugar. Resolvi então abrir a janelinha do youtube e verificar o som. E só posso dizer que adorei! The Like é uma banda formada apenas por mulheres que tiveram uma base musical excelente provenidas de seus pais e que começaram no ramo musical aos 15 e 16 anos. Há quem diga que são “as novas beatles”. Deixarei a seguir duas musiquinhas pra vocês curtirem!




Outra coisa legal que achei foi o filme O fantástico medo de tudo do Simon Pegg. Conta a história de um escritor de livros infantis que pretende publicar um livro de mistério e, por isso, fez pesquisas sobre serial killers da era vitoriana, etc. Só que essas pesquisas só o fizeram ficar noiado e com medo de qualquer coisa (sério, QUALQUER COISA).  A situação piora quando um executivo de hollywood demonstra interesse no seu novo livro.

assassinos e escritores

É uma história engraçada, mas não vá achando que você rirá o tempo todo. Ela tem umas partes meio paradas e o começo até estranho e você pode até querer parar de ver o filme, mas o desenrolar dos fatos e das cenas é bem legal. As cenas que prometem ser cômicas me renderam risadas cheias.

E por último, mas não menos importante, deixarei pra vocês um texto exposto pela filha da minha ex-professora de História, no facebook. No meio de tanta inutilidade, ainda tem gente que realmente sabe usar as redes sociais para divulgar algo que vale à pena.

"Hoje fui estuprada. Subiram em cima de mim, invadiram meu corpo e eu não pude fazer nada. Você não vai querer saber dos detalhes. Eu não quero lembrar dos detalhes. Ele parecia estar gostando e foi até o fim. Não precisou apontar uma arma para a minha cabeça. Eu já estava apavorada. Não precisou me esfolar ou esmurrar.  A violência me atingiu por dentro.

A calcinha, em frangalhos no chão, só nãoficou mais arrasada do que eu. Depois que ele terminou e foi embora, fiquei alguns minutos com a cara no chão, tentando me lembrar do rosto do agressor. Eu não sei o seu nome, não sei o que faz da vida. Mas eu sei quem me estuprou.

Quem me estuprou foi a pessoa que disse que quando uma mulher diz “não”, na verdade, está querendo dizer “sim”. Não porque esse sujeito, só por dizer isso, seja um estuprador em potencial. Não. Mas porque é esse tipo de pessoa que valida e reforça a ação do cara que abusou do meu corpo.

Então, quem me estuprou também foi o cara que assoviou para mim na rua. Aquele, que mesmo não me conhecendo, achava que tinha o direito de invadir o meu espaço. Quem me estuprou foi quem achou que, se eu estava sozinha na rua, na balada ou em qualquer outro lugar do planeta, é porque eu estava à disposição.

Quem me estuprou foram aqueles que passaram a acreditar que toda mulher, no fundo no fundo, alimenta a fantasia de ser estuprada. Foram aqueles que aprenderam com os filmes pornô que o sexo dá mais tesão quando é degradante pra mulher. Quando ela está claramente sofrendo e sendo humilhada. Quando é feito à força.

Quem me estuprou foi o cara que disse que alguns estupradores merecem um abraço. Foi o comediante que fez graça com mulheres sendo assediadas no transporte público. Foi todo mundo que riu dessa piada. Foi todo mundo que defendeu o direito de fazer piadas sobre esse momento de puro horror.

Quem me estuprou foram as propagandas que disseram que é ok uma mulher ser agarrada e ter a roupa arrancada sem o consentimento dela. Quem me estuprou foram as propagandas que repetidas vezes insinuaram que mulher é mercadoria. Que pode ser consumida e abusada. Que existe somente para satisfazer o apetite sexual do público-alvo.

Quem me estuprou foi o padre que disse que, se isso aconteceu, foi porque eu consenti. Foi também o padre que disse que um estuprador até pode ser perdoado, mas uma mulher que aborta não. Quem me estuprou foi a igreja, que durante séculos se empenhou a me reduzir, a me submeter, a me calar.

Quem me estuprou foram aquelas pessoas que, mesmo depois do ocorrido, insistem que a culpada sou eu. Que eu pedi para isso acontecer. Que eu estava querendo. Que minha roupa era curta demais. Que eu bebi demais. Que eu sou uma vadia.

Ainda sou capaz de sentir o cheiro nauseante do meu agressor. Está por toda parte. E então eu percebo que, mesmo se esse cara não existisse, mesmo se ele nunca tivesse cruzado o meu caminho, eu não estaria a salvo de ter sido destroçada e de ter tido a vagina arrebentada. Porque não foi só aquele cara que me estuprou. Foi uma cultura inteira.

Esse texto é fictício. Eu não fui estuprada hoje. Mas certamente outras mulheres foram."
Escrito por @Aline Amor Divino

5 comentários:

  1. Gostei mais do filme que da música. Aprendi nos filmes franceses que existe outro tipo de humor, diferente do nosso ou do americano - ao qual estamos acostumados. Gosto dessa melancolia inicial, o desastre como ponto de partida para a comédia.
    Quanto ao texto, acho válido. Tem muita gente por aí fazendo piadinha com estupro, mas não sabe um terço do que as vítimas sofrem. E julgam sem saber. Apontar o dedo é fácil, não?
    Abraços.

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  2. Olá.
    Adorei seu blog e gostaria de te convidar a divulgar sua postagem em meu Portal.
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    Espero que aceite.
    Até mais

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  3. Olá, Larie! Quanto tempo desde a ultima vez que eu comentei aqui. Mas quero que saiba que durante o tempo em que estive afastada do blog passei por aqui várias vezes para ler os seus posts maravilhosos.
    Voltando ao post, admito que não assisti aos clipes e não me interessei muito pelo filme, mas o texto... Que texto!
    Não sou o que as pessoas chamam de "feminista", estou um pouco longe disso, mas defendo muito o direito que todas nós, mulheres, temos de nos sentir a vontade sendo do jeito que somos e que queremos ser. Não me conformo com pessoas que julgam uma mulher por ela se vestir de forma "vulgar", que dizem que mulher que "não se dá o respeito" não merece respeito, que mulher nasceu pra viver em boca de fogão e em tanque de lavar roupa. Sou contra qualquer rótulo imposto tanto para mulheres como para homens. É um absurdo!
    Sei que o texto é fictício, mas também sei que essa é a realidade de milhares de mulheres. Tanto sei que vivo amedrontada. Não saio de casa sozinha depois que escurece e não ouso passar próximo à uma rodinha de amigos. E isso é muito absurdo! Mas o mais absurdo de tudo isso é que ainda tem gente que chega e diz que mulher dá o cabimento pra ser estuprada.
    Enfim, não vou falar mais nada porque se continuar isso aqui vai virar um post. Mas antes de finalizar, quero dizer que adoro o seu blog e adoro a forma como você trata de assuntos que todo mundo trata, porém, de uma forma mais interessante. É muito bom! :D
    Beijos

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  4. Gostei do filme, da música, mas o que mais me chamou a atenção foi o texto. Fiquei, verdadeiramente, sem palavras para expressar o quanto concordo com cada linha, ponto e virgula! Postei na minha fan page, com os devidos créditos, acho que todo mundo devia ler esse texto da filha da sua professora, pois é um tapa na cara dessa nossa sociedade machista camuflada com a igualdade dos gêneros.

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  5. The Like tem umas músicas gostosinhas! E esse texto sobre o estupro é genial, principalmente no impacto que causa em quem lê.

    (primeira vez passando aqui, então... oi!)

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