terça-feira, 13 de novembro de 2012

Minha auto-ajuda

Acreditar em mim era algo que eu costumava fazer muito na minha infância, pois era exatamente esse o ingrediente que eu precisava para criar minhas estórias e meus amigos imaginários. Lembro que eu gostava de inventar as brincadeiras na escola e que não via problema algum em recusar as brincadeiras que meus colegas inventavam. "Ah Larissa, mas venha brincar com a gente, vai ser legal" eles diziam e eu, toda independente e meio antissocial, dizia "ah não, vou ficar vendo vocês brincarem e, se quiser, irei depois". Mas a verdade é que eu nunca ia, utilizava tal desculpa para analisar as possibilidades de vencer o jogo. E somente hoje, trabalhando no laboratório com a mente a mil por segundo, percebi que eu não sabia/sei perder e que isso refletiu na minha vida de um modo tão devastador que posso dizer que sou a pessoa mais insegura que conheço.

As últimas provas da faculdade me provaram que sou uma pessoa mais do que capaz de obter sucesso na vida seguindo minha lógica, pois ao contrário de muitos dos meus colegas, apesar da minha insegurança e de estar com a corda no pescoço em uma matéria, eu não colo nunca. É verdade que minha insegurança dura do começo até o final da prova e isso justifica o fato de eu odiar com todas as minhas forças ficar perto de pessoas que estão discutindo resultados quando a prova já passou. Odeio e morro de medo porque nunca acho que vou acertar - sou uma pessimista de mão cheia - mesmo tendo certeza absoluta de que o que fiz está certo. É confuso, mas ok, eu sou confusa mesmo. O ápice do meu desespero foi chegar numa prova de cálculo II chorando e tremendo.

Daí que ontem minha insegurança resolveu brotar justo num lugar que eu achava que andava meio dormente: na autoescola.

Ontem fui ter minha primeira aula de direção pós recuperação do acidente e final de período da faculdade. Como vocês não sabem o que aconteceu, resumirei em poucas palavras: um dia antes da minha prova prática do Detran, em meados de junho, caí de um ônibus e quebrei a tíbia e a fíbula, tendo que me aventurar numa cirurgia, vinte dias sem andar e depois fazer trinta sessões de fisioterapia que não resolveu meu problema 100% pois ainda não consigo correr. Passado todo esse sufoco, minhas aulas retornaram e não vi mais tempo pra fazer nada fora de casa ou da faculdade. Quando tudo acabou, resolvi ir na autoescola resolver minha vida de futura motorista cujo prazo de validade dura até o começo de janeiro de 2013. 

Um pouco pressionada devido ao pouco tempo, marquei algumas aulas e minha prova. Ao entrar no carro, porém, não esperava ouvir um "você não está preparada pra isso" do meu mais novo instrutor que logo de cara me fez tremer nas bases e não raciocinar sobre o que eu estava fazendo ali. Fiquei atônita, cansada, nervosa e desatenta, assim, tudo de uma vez. Foi horrível. Se eu já tenho dificuldade para acreditar nas minhas capacidades, imagina com uma pessoa do seu lado dizendo que você não está mandando bem. Foi torturante aquela primeira aula, saí de lá quase chorando, não fosse o atraso para chegar no laboratório. 

Hoje na autoescola resolvi então provar meu valor e provar para o instrutor que eu tinha condições sim de fazer a prova do Detran. Ao que parece, obtive sucesso, pois ele me disse que eu sabia dirigir, o que foi imensamente tranquilizador pra mim. Desencadeei então uma conversa com ele sobre meus medos, o acidente, o tempo, a vida, o universo e tudo mais e isso me ajudou a instigar aquela confiança que estava pra lá de ofuscada. O que tenho em mente agora é manter essa chama acesa porque o mundo não é lá muito gentil com as pessoas inseguras e pessimistas. E creio que é como diz aquele velho ditado mesmo "o pessimismo nunca ganha nenhuma guerra".

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