domingo, 7 de outubro de 2012

Killing me softly with her song

Certa vez li um texto que dizia que as redes sociais eram assustadoras e tenho que confessar a vocês que não havia entendido o que o autor quis dizer ao deixar a mensagem de que as pessoas eram eternizadas na internet. Agora suponha que você segue o blog de alguém e por algum motivo esse alguém morre. A menos que outra pessoa tenha todas as senhas das redes sociais dela(duvido), as coisas dela continuarão vagando pela net como se nada tivesse acontecido. E o pior: a gente nunca pensa nessa possibilidade e sim que a pessoa tirou umas férias ou apenas abandonou o tal domínio. É estranho, né? Pois é, aconteceu uma situação parecida comigo ano passado.

Eu cresci ouvindo meu pai tocar violão para mim, para minha mãe e para todos os que se dispunham a ouvi-lo. Ele é um violeiro nato e inclusive já viveu de música quando estava na casa dos vinte, mas isso não vem ao caso. A questão é que crescendo ouvindo meu pai tocar e após passar umas férias com uma das minhas melhores amigas que também é violeira, em 2009, resolvi que estava na hora de encarar o velho violão que tinha aqui em casa. No começo eu era um lixo, doía os ouvidos de todos por aqui, mas tinha que ser assim, insistente, para sair algo bom lá na frente. E, com uma pausa de um ano e pouco estímulo, consegui chegar num patamar em que as músicas não saíam tão ruins (e, olha, tô muito orgulhosa de mim porque aprendi quase tudo - meu pai deu uns poucos toques - só).

Adquiri, então, o hábito de assistir covers no youtube para aprender a pegar os ritmos das músicas e até mesmo facilitar a vida com versões diferentes. E foi assim que eu conheci ela. A garota japonesa-brasileira que tinha uma voz rouca e que tocava violão super bem. Que me inspirou a tentar tocar uma música da KT Tunstall e tocar Kiss Me da Sixpence None the Richer. Ela, que me deixou emocionada tocando e cantando a música de abertura de The OC, mesmo que eu não tenha assistido sequer um episódio desse seriado. Ela, que morreu num deslizamento há quase três anos atrás e que me deixou chorando por uma hora quando descobri. 

Ontem joguei o nome dela no youtube mais uma vez e fui apreciar seus vídeos e, de novo, não pude acreditar que essa menina estava morta. Me deu uma dor no coração quando a ficha caiu, gente, vocês nem sabem. Eu nunca a conheci, mas ela significou algo na minha vida que ainda não sei definir pra vocês. Talvez seja uma pontada na minha alma dizendo: vai viver a vida, garota, ela é imprevisível. Não sei, só sei que eu falaria dela pra vocês mais cedo ou mais tarde e, ao que parece, foi hoje.

Alguns covers dela:





O nome dela era Yumi Faraci e ela morreu aos 18 anos.

3 comentários:

  1. Sabe que eu morro de aflição disso? Uma vez eu comentei com minhas amigas blogueiras, que, enquanto o nosso elo sendo somente virtual, como aconteceria se uma de nós morresse. E aí? Quem avisaria? Como alguém descobriria? E quase entrei em colapso pensando nisso, então, desisti.. A vida é bizarra mesmo.. E a morte nunca vai deixar de ser uma piada de extremo mau gosto :(

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  2. A morte dói, mesmo assim, distante e tão perto ao mesmo tempo.

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  3. É estranho mesmo, topar com perfis de pessoas que já se foram. A gente toma uma espécie de choque, se como não fosse possível que a morte chegasse ao Facebook.

    Mas ao menos ela deixou uma voz linda pra gente curtir :)

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