segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O que fazer?

Hoje fui ao laboratório de biomateriais da faculdade para retomar minha dignidade no trabalho e deparei-me com laboratórios quase vazios e muitas pessoas resmungando. É chato isso, sabe, gente? Depois de passar seis meses, ou mais, afastada de lá e sofrendo dúvidas terríveis em relação ao meu curso, escuto gente (muita gente) falando que não aguenta mais, que aquilo não dá futuro e que engenharia de materiais é perda de tempo.

Passei por quadribilhões de dúvidas antes de escolher esse curso e, quando finalmente o escolhi, achava que ia ser a engenheira mais sucedida do universo. E, passado o primeiro período da faculdade, vi que o futuro é mais incerto do que tudo. A verdade é que Engenharia de Materiais é mais ligado a academia. Daí penso que vou estudar todos os cálculos e físicas possíveis para, talvez, virar professora do nível superior. Isso me enlouquece, sério. Não entra na minha cabeça, de forma gratificante, que virar professora de engenharia seja lá algo tão legal. E olha que meus pais são professores universitários federais e sou muito feliz com meu padrão de vida.

Pensei em mudar várias vezes para Letras ou Biologia que são duas áreas de enorme aptidão. Porém me toquei que só estava querendo fazer isso para ter "menos trabalho". Uma ideia tosca e fajuta que eu alimentei por medo de enfrentar o peso da engenharia. Eu sou fraca, gente. Embora eu morra de vergonha de assumir isso na frente dos outros por causa do meu orgulho inflado, sou uma desistente de mão cheia. Só que, por sorte, eu tenho meu namorado para me ensinar todos os dias a não desistir das coisas.

Além disso, o negócio aqui em casa é mais complicado. Minha mãe influencia bastante nas minhas escolhas e, como ela só quer o melhor pra mim, eu vou na onda, só que às vezes ela me satura com tanta ordem. Quando eu acho que já cheguei numa conclusão de como seguir a carreira, ela me vem com outra ideia com melhor retorno financeiro. Mas isso implica em mudanças e, a primeira delas, é mudar o curso para Engenharia Química. É meio desgastante ficar falando de mudar de curso assim, como quem vira a página de um livro. Ela acha que a mudança é uma besteira; mas eu, sinceramente, não sei. E isso só alimenta as dúvidas já existentes que me fazem entrar num loop de crise profissional que vocês nem sabem.

Enfim, eu só queria uma iluminação divina para saber o que fazer da minha vida. Gente, não saber o que você vai ser daqui pra frente é um questionamento enlouquecedor. E, olha, eu não tenho todo o tempo do mundo para decidir isso.

5 comentários:

  1. Eu era a pessoa mais indecisa desse mundo no quesito qual faculdade cursar, mas aí escaquetei com jornalismo e cada dia tenho mais certeza de que é isso que eu quero fazer, mesmo tendo também quase certeza de que não vou ser bem sucedida, mas preciso fazer isso, sabe? Mesmo que eu não goste, mesmo que eu desista e faça uma coisa totalmente diferente da minha vida, preciso passar por isso, quero passar por isso. E ter chegao a essa conclusão foi um alívio e tanto pra mim.
    Também não tenho muito tempo pra ficar decidindo, mas vê o que tu gosta de fazer e foca nisso, transforma pra que seja algo que te realize pessoal e financeiramente.

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  2. Uma vez, escutei um psicólogo dizer que "tentar seguir a normalidade é um dos piores erros que alguém pode cometer, levando a pessoa a sofrer de ansiedade e outros problemas emocionais". Às vezes, o combinado "faculdade - trabalho - pós graduação" não é o melhor caminho pra alguém. E por mais que sua mãe queira o seu bem, ela não sabe o que é o melhor pra você. Só você pode saber isso! Desistir faz parte, não é sinal de fraqueza. A gente toma decisões erradas e, graças a Deus, na maioria das vezes podemos reverter a situação. Você tem que ser feliz, independente do que os outros acham que você tem que ser. Siga essa verdade!

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  3. Imagino o quanto deve estar sendo difícil, mas achou que você deveria ir por sua inclinação maior, ao invés da influência da sua mãe. Afinal, o futuro é seu. É curioso uma futura engenheira gostar tanto de escrever, não acha? E desde quando migrar para letras vai tornar a faculdade mais fácil? Talvez abrir mão da Engenharia seja algo totalmente diferente e novo para você. Não vejo motivo em não tentar.
    Sorte.
    Abraços.

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  4. Não sou a melhor pessoa do mundo para dar conselhos sobre decisões, uma vez que essa é uma área da minha vida com a qual lido mal e porcamente, mas acho que o principal é você se perguntar, sem medo da resposta, o que é que você QUER. Não o que é melhor, não o que dê mais grana, não o que seja mais fácil, mas aquilo que você quer pra sua vida. Se não está feliz com seu curso atual, mude. Se tem medo de chegar lá na frente e só se deparar com a carreira acadêmica, vai deixar mesmo que o seu gosto pelo que faz te faça parar no meio por achar que já tem todas as respostas do futuro? Se você quiser trocar por querer fazer outra coisa, não encare isso como desistência, você está só correndo atrás daquilo que quer. Ninguém tem nada a ver com isso, pois é você que vai ter que conviver com essa escolha pelo resto da vida.
    Sucesso!
    Beijos

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  5. Eu concordo com a Anna. Tem que se perguntar o que tu quer de verdade. O que te faria feliz.
    E se para ser feliz você precisar mudar de curso, então mude!
    Nunca é tarde pra nada. Clichê, mas verdade.
    Beijo.

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