sexta-feira, 6 de julho de 2012

Só um conto

Querido diário, 

Ontem, mais ou menos nove da noite, recebi uma mensagem do Gui me convidando para sair. Disse a ele que estava totalmente indisposta e que não poderia. Ele insistiu um pouco, mas logo desistiu. Pra lá das onze horas mandei uma mensagem para ele dizendo que não conseguia dormir e ele reativou o convite da tal saída. Topei na hora e, levantando da cama meio bamba e com os olhos inchados de tanto chorar, fui lavar o rosto e colocar uma roupa mais sensata para sair.Quando ele chegou, não buzinou, apenas ficou esperando do lado de fora enquanto eu saía na ponta dos pés. Morri de medo que meu pai me flagrasse, mas no fim das contas consegui.

Ao entrar no carro, ele me recebeu com um sorrisão na cara e perguntou o porquê de eu estar com olheiras tão fundas. Falei que estava mal e que o Rafael tinha terminado comigo há uma semana. Ele conversou muito comigo, me acalmou e eu chorei no ombro dele feito uma criança que se perdeu dos pais. Foi triste, realmente. Decidimos então esquecer tudo aquilo por uma noite e ele me levou para onde a galera sempre se encontrava: no Mcdonalds. Comemos, conversamos, rimos a beça e, quando os ponteiros do relógio acusavam meia-noite, resolvemos ir para a casa de praia da Julia porque era perto dali. Fomos eu, o Gui, a Julia, o Marcos, o Pedro e a Ana.

Chegando lá tratamos logo de acender uma fogueira e pegar as bebidas. Uma constatação: nunca mais bebo do jeito que bebi ontem. Continuamos a conversa de onde paramos e o Marcos ficou tocando no violão todas as músicas que ele havia aprendido recentemente e foi muito legal. Ele sabia tocar todas as músicas que estavam fazendo sucesso na rádio. 

Quando deu uma e meia da manhã todos começaram a pagar vexame, inclusive eu. A Ana me contou que eu estava muito louca, dancei sensualmente e até quis entrar no mar, mas o Gui me segurou e, nessa segurada, eu me perdi nos olhos dele. Sim, você acredita? Me lembro de encará-lo muito e dele ter me beijado com muita urgência. A brisa, então, começou a ficar forte e todos ficamos com frio, daí resolvemos entrar na casa. Sentamos na sala e o pessoal continuou a beber mais e mais. Então eu beijei o Gui de novo. Todos ficaram chocados, inclusive ele, mas ele retribuiu o beijo meio atrasado. Então eu comecei a chorar e a dizer que aquilo era errado e que eu queria conversar com ele em particular. Ele assentiu e assim fomos para o quarto de visitas.

Lá me desculpei, disse que aquilo era um erro e que eu não podia fazer mais aquilo e ele, do nada, me abraçou e pediu desculpas também. Paramos e nos encaramos por um bom tempo até que ele falou que não suportava mais e que gostava de mim desde o início. Disse que eu era linda de todos os jeitos possíveis e que não conseguia mais se segurar, então me beijou. Foi um beijo tão apaixonado, querido diário, eu me lembro. Minha cabeça começou a ficar confusa e eu disse que ainda gostava do Rafael e ele disse que não se importava e que queria que eu ficasse bem naquela noite. Então ele me abraçou e me deitou na cama de hóspedes e beijou todo o meu corpo, me despiu e depois se despiu e fizemos todas as coisas que você pode imaginar que duas pessoas nuas podem fazer. 

Lá para as três da manhã juntei minhas coisas e disse a ele para esquecer o acontecido, que aquilo não podia passar de um sexo pós-término e ele chorou tanto, mas tanto que meu coração, já partido em dois, agora estava em quatro. E saí, com o coração na mão, pois não aguentava mais ficar ali. Daí fui para casa e assim que encontrei minha cama, adormeci profundamente. 



Hoje, quando acordei,  minha cabeça latejava e a Ana, que estava vendo tudo pela fresta da porta, me ligou e contou tudo o que aconteceu. Minha cabeça ficou a ponto de explodir ao ouvi-la falando tanto. Agora, depois de comer algo, estou aqui desabafando esse mundo coisas na minha cabeça para você. Estou perdida, não sei o que fazer. Fui olhar meu celular agora e o Gui mandou uma mensagem pra mim dizendo "I don't wanna lose your love tonight" e logo em seguida recebi uma do Rafael com um "Precisamos conversar". Como procede com isso? Tenho 17 anos e um coração despedaçado. De um lado um amigo e do outro um amor estúpido, para onde vou? Preciso de sua ajuda.

Desesperadamente,
Luana.



-----
Conto bolado com ideia na música: Post break up sex - The Vaccines

6 comentários:

  1. Vai para o amigo, já que o amor é estúpido. Não podemos ficar insistindo em algo que não está dando certo. Isso só nos faz sofrer.
    Gostei do texto porque, além do nome em comum (dã) eu também tenho um lindo diário que está sempre disposto a ouvir todas as minhas aflições. Digamos que hoje em dia as meninas não sejam mais tão sensíveis. Garota de 15 anos com um diário, só conheço a mim, mas enfim...

    Beijo!

    ResponderExcluir
  2. no fim sempre vamos apara paixao estupida e criamos um amigo de coração em partes

    ResponderExcluir
  3. Caraka que Puta conto!
    Você relatou o sexo sem parecer explicito, acho isso uma dádiva.

    Gostei pra Caramba!

    ResponderExcluir
  4. Muito bom!
    A linguagem está bem simples e direta, do jeito que eu gosto. Parabéns.

    ResponderExcluir
  5. Amores estúpidos existem porque assim o são!
    E o tempo é o melhor remédio para isso. Tempo pra ti mesma, tempo pro teu coração!
    Um beijo.

    ResponderExcluir
  6. Amei e só espero que você continue com mais páginas desse diário, porque eu quero saber com quem ela vai ficar, o babaca do Rafael ou o fofo do Gui? hum, já sei pra quem eu torço.

    ResponderExcluir

Meu estágio, minha vida

Há cerca de dois ou três anos eu costumava escrever bastante sobre os sufocos que passava na universidade. Falava muito sobre minhas dúvid...