sexta-feira, 29 de junho de 2012

Mais perdida do que cego em tiroteio

Desde que me puseram na parede para escolher minha opção no vestibular tive a certeza de que eu era muito, mas muito, inconstante. Com doze anos tive que fazer uma cirurgia na coluna e fiquei bastante familiarizada com a profissão do médico. Achava uma profissão linda e digna de respeito. Então, quando me mudei para o último colégio que estudei, na 7ª série, e que fazia uma lavagem cerebral doentia por causa do vestibular, pensei em fazer medicina, pois havia amado estudar o corpo humano, principalmente a parte de ossos. Porém, quando fui para o 9º ano, a coisa mudou. Os alunos que queriam fazer medicina já estavam se destacando e tirando notas absurdamente boas, com médias altíssimas, e eu, querendo viver minha juventude, estava ficando para trás. Aliás, estava não, sempre fui aluna mediana e tive dificuldade em matemática. Partindo disso, desisti de fazer medicina, já visualizando que eu não iria passar.

Não lembro exatamente quais foram, mas durante o 9º, o 1º e 2º ano, pensei em cursar diversas áreas, entre elas estavam: medicina veterinária, publicidade e propaganda, cinema, biologia e ecologia. Só que a loucura - e a pressão - subiram à cabeça e acabei optando por Engenharia de Materiais. Sim, a aluna que não tinha destaque ou aptidão nenhuma na área de exatas e só gostava mesmo do Laboratório de Química, escolheu uma área da Engenharia. O que prova que meu senso de escolha é muito indefinido - e que eu sou medrosa porque a concorrência e a pontuação não eram lá grandes coisas. Hoje em dia, por causa dessa inconstância e desse medo, estou sofrendo com os cálculos, as químicas, as físicas (principalmente) e as físico-químicas da vida e isso me faz repensar muito sobre o meu curso.

Ultimamente, tenho passado por uns maus bocados em relação ao mesmo, a ponto de chorar caladinha na cama diversas noites por estar me sentindo perdida e com medo de tomar qualquer decisão precipitada, pois levo em conta que eu estava adorando trabalhar no laboratório e que todas essas dúvidas e incertezas desabrocharam desde que saí de lá. 

Mas minha indecisão não fica só nesse campo de estudo não, tem a ver com quase tudo que faço na vida. Todas as minhas escolhas são frágeis. Seja com decisões em relação a namorado, seja com layout de blog (gostaram do novo?). Minha opinião é demasiada flexível e eu simplesmente odeio isso. Queria saber como reparar esse problema, pois daqui a pouco estarão dizendo que não tenho personalidade ou que estou com o caráter abalado e, se for isso, vou atrás de um psicólogo. Aliás, já disse que acho massa psicologia? (rs)

Digam aí se não estou mais perdida do que cego em tiroteio?

Um comentário:

  1. Adoraria ter uma ótima dica pra te dar nesse momento, mas não tenho porque sou tão ou mais indecisa do que você.
    Durante o fundamental eu odiava exatas e amava humanas, mas quando comecei o meu E.M. em uma escola técnica, acabei me apaixonando por exatas e odiando humanas. Hoje eu tenho quase 80% de certeza que quero fazer engenharia elétrica, mas algo lá dentro de mim diz pra eu tentar outra coisa, pois talvez essa não seja a minha melhor escolha.
    Como já disse, adoraria poder te aconselhar da melhor maneira possível, mas o melhor que eu posso te dizer nesse momento é "não se desespere". Você ainda é nova e tem tempo de experimentar outros cursos em outras áreas e descobrir o que realmente combina com você. Não te aconselho a abandonar o curso agora, mas se encontrar um outro que te agrade, não faz mal algum investir nessa nova escolha.
    E por fim, só tenho mais uma coisa pra te dizer: não tome nenhuma decisão precipitada, pois no futuro você pode se arrepender e o arrependimento é a pior sensação que existe. Digo isso por experiência própria.

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