quinta-feira, 25 de maio de 2017

Meu estágio, minha vida

Há cerca de dois ou três anos eu costumava escrever bastante sobre os sufocos que passava na universidade. Falava muito sobre minhas dúvidas, meus medos, minha inadequação ao ambiente de estudos e à engenharia. Eram posts carregados de drama e chorume, bastante condizentes com a Larissa neurótica e desesperada daquele tempo. Entretanto, esses anos de desespero passaram. Adquiri maturidade o suficiente para aprender a estudar, a prestar atenção no que valia à pena e deixar pra lá o que não valia, aprender o ~outro lado da moeda da engenharia~ no meu intercâmbio na Alemanha e, principalmente, aprender que eu não era burra. Esta talvez tenha sido minha grande descoberta nesses últimos dois anos acadêmicos. Fui dessas mulheres (que são muitas!) que estão na área e acham que não estão aptas. Que existem homens que podem fazer mais que eu e melhor que eu. 

Tem alguns dias que ainda me pergunto se estou na área certa, mas é uma dúvida muito fraca. Já apanhei e aprendi muito. Já entendi e fortaleci o que tive facilidade. E assim vem seguindo o baile. Atualmente estou no meu último semestre da universidade e, por conta disso, venho passando por uma das minhas maiores "provações" acadêmicas: o famigerado estágio. Em tempos de crise, nós não estamos tendo muito luxo de escolher a empresa que queremos estagiar, então nossa professora orientou que no primeiro estágio que aparecesse e que algum de nós fosse chamado, que a gente aceitasse. E foi assim que fui parar em uma retífica de motores. Ou de um jeito mais popular: uma oficina especializada em motores. 


Amanhã completo a minha primeira semana na retífica e queria deixar aqui algumas impressões. Primeiro de tudo aconteceu o que eu achava que ia acontecer: me dei conta que na prática eu não sei de nada mesmo. Meus colegas que estagiaram antes de mim disseram que o sentimento foi o mesmo. A gente vê tanta teoria sobre tanto material diferente (plásticos, cerâmicas, metais e compósitos) que no final das contas a sensação é que a gente só sabe o básico do básico. E é a verdade, né? Criamos essa ideia que quando saíssemos da faculdade seríamos merecedores de bons empregos porque carregamos uma carga grande de conhecimento. RI. SOS. Gente, a gente não sabe de nada. A vida real é muito além do que aquelas provas e aulas enfadonhas. Experiência que é importante a gente não tem. SOS. Eu poderia entrar aqui no mérito de como a universidade só nos prepara pra ciência, mas vou deixar isso pra outro post.


A segunda impressão é que, bem, não é uma impressão. Eu sou a única mulher no recinto. Trabalho com basicamente oito mecânicos e confesso que me senti intimidada. Muito intimidada. Tem um colega meu de curso que também está estagiando lá, mas nos últimos dois dias ele adoeceu e não pode ir, então fiquei um pouco nervosa de ter lidar cuzomi sozinha. Só que para minha surpresa eles foram bastante receptivos. Riram MUITO da minha falta de jeito operando certas máquinas, do fato de eu ter 0 força (hehe), de eu não saber nem pegar em uma furadeira (eles já fizeram questão de corrigir isso) e de eu estar sempre espreitando para aprender o serviço. Eles não tem medo de me colocar para fazer as coisas, sabe? E acho isso muito legal, apesar de só faltar fazer xixi de tanto medo de fazer coisa errada. Vida que segue. Aprendi tanto nessa primeira semana que fiquei chocada. Apesar de ter que viajar todo dia para o interior e passar 2h em transporte (somando ida e volta), não me arrependo. Sofro pra acordar cedo, mas acho muito gratificante no final do dia o tanto de coisa que aprendi só de estar presente naquele local.


A terceira impressão é que o estereótipo que eu tinha de um mecânico foi completamente destruída. Os mecânicos da retífica CHEIRAM BEM. KKKKK Eu sei que é uma coisa aleatória de se falar, mas na minha cabeça mecânico era sujo, fedorento e do mal. Eles são sujos, mas não fedem e não são do mal. São brincalhões. Talvez pelo fato de eu ser mulher eles, inclusive, se sintam confortáveis para falar da família deles. Dois já fizeram isso e adorei. Muito mais do que máquinas, esse trabalho requer lidar com pessoas porque é delas que irei extrair conhecimento. Tenho uma professora que desde o terceiro período fala pra gente "colem no peão porque o peão é quem sabe o que acontece ali" e é uma realidade. Hoje meu coração quase morre enquanto conversava com Sr. Zé Antônio e ele me dizia que trabalhava há 25 anos na empresa e que tinha decidido mudar para aquela cidade essa semana porque a filha ia começar a universidade e ele tinha conseguido um "Minha casa, minha vida". Fiquei pensando nos meus privilégios, na minha falta de conhecimento, na perspectiva do meu salário comparado ao daquele homem que sabe TANTO. Não é justo. 

E a quarta e última impressão é que eu nunca me senti tão capaz de aprender. Dois mecânicos estavam me acompanhando enquanto eu fazia umas correções nas bielas de um Mercedes e um deles falou "você é bem curiosa, né? E aprende muito rápido". Foi o suficiente para me dar aquele boost confidence que tanto faltava. Eu posso me sentir muito inútil ali, mas aquelas pessoas estão dispostas a me ensinar e isso é um ganho absurdo. Sou curiosa e, de fato, aprendo com facilidade porque eu sempre estou querendo dar o meu melhor. Posso me atrapalhar algumas vezes, mas isso de aprender a acreditar em mim foi uma das lições que tirei da universidade, então é algo que estou tendo que relembrar todos os dias. 


São 180h que preciso cumprir. Vou carregar uns três meses de serviço pela frente. Espero que a experiência seja enriquecedora em muitos sentidos e que aquelas pessoas, no final do meu estágio, saibam o quão importantes foram para a minha formação. 


quarta-feira, 17 de maio de 2017

Impressões sobre "Um dia"

Depois de muita resistência da minha parte, consegui terminar de ler o livro "Um dia" do David Nicholls. Antes de tudo, gostaria de deixar claro que não pretendo fazer uma resenha, muito menos uma crítica literária sobre o livro, por isso não se apavorem. Sei que a internet já esgotou tudo sobre o livro/filme lá em 2011 (!!!!), mas a título de consulta pessoal, preciso escrever um pouco sobre ele aqui. Vocês não sabem, mas remexo os arquivos do meu blog de tempos em tempos e, ao contrário de muita gente que fica com vergonha do que escreveu lá em 2013, eu fico feliz de saber que coisas li, assisti, vivi, amei e detestei. Blogs raiz, no final das contas, são sobre isso. 

Comecei essa leitura lá na metade de janeiro de 2017. Ou seja, foram oficialmente QUATRO MESES lendo um livrinho de 318 folhas. Eu poderia dizer aqui que foi porque não gostei da escrita do autor, mas seria uma mentira gigantesca. A escrita e, portanto, a leitura são absurdamente fáceis e não faltam diálogos nesse livro para torná-la mais dinâmica. Emma Morley é uma personagem bastante identificável quando se gosta de ler e escrever, portanto, chega até ser engraçado o tanto que dá para se encontrar no meio do livro e da timidez e da cabeça dura de Emma. É uma história sobre amizade, amor e perdas. O enredo é leve, mas não de uma forma besta e ingênua e isso me agradou muito mesmo conforme as páginas foram passando. Tinha tudo pra dar certo e acabar essa leitura em, sei lá, duas semanas. Então, o que deu errado? 

Dexter Mayhew. 

Tão bonito o rosto, mas tão chato

Dexter nos seus vinte e tantos anos é talvez um dos personagens MAIS DETESTÁVEIS da literatura. Sabe aqueles caras de vinte anos que se acham, vão para todas as festas, pegam todas as meninas e são tão pedantes que dá vontade de dar um tapa na cara da pessoa pra ela sair daquele pedestal e acordar para a vida? Passei em torno de 80-100 páginas com angústia existencial por ser obrigada a ler tanta coisa detestável da psique masculina humana em um livro só. Provavelmente essa era a ideia do autor mesmo, passar esse sentimento de que Dexter era realmente insuportável, assim como a família dele e Emma achavam, mas foi demais. O livro começa a ser maçante durante toda essa parte da vida dele. Pensei em desistir umas quinze vezes só por causa disso. 

Pausa

Infelizmente me dei conta que Dexter Mayhew é leonino da pior espécie (o aniversário dele é em agosto mesmo). E, gente, eu odeio falar mal do meu signo, mas tem muita gente leonina que é insuportável sim*. Não dá nem pra discutir. Entretanto, ele tem umas coisinhas fofinhas pertinentes ao signo como passar um grande parte do livro colocando a Em pra cima e falando para ela confiar mais no potencial dela, sendo atencioso e caloroso com ela. (mas nada justifica a ~fase~ dos 20 anos dele). 

* Acho que só não fui estragada 100% por causa do meu ascendente em peixes, o vênus em câncer e meu marte em libra que me deixam uma pessoa da paz e anti-tretas que se importa com os outros (demais até). Vai saber. 

Despausa


A leitura finalmente ficou boa quando chegou na parte dos trinta e poucos anos de Em e Dex porque além da vida ter dado uma nas fuças de Dexter, faltou energia aqui em casa e, por eu estar de férias, não tinha absolutamente nada pra fazer. Peguei o livro, deitei na rede e li como os velhos tempos. Foi ótimo e terminei o livro em dois dias. RISOS. Minha cabeça ficou desgraçada com o final e até agora me pego olhando para o teto e me perguntando "por que o autor fez isso?!!". Vida que segue. Essa é a vida de leitor. 

eu quando cheguei NAQUELA parte

Para completar o meu desgraçamento, assisti ao filme ontem (tem no Netflix) e desliguei a TV completamente desestabilizada quando acabou. Ele ficou bastante fiel ao livro, o que me deixou bastante feliz. Não sei se encararia uma releitura do livro em algum outro momento da vida. Por ora, só fico feliz pela história e por ela ter me despertado a vontade de escrever de novo, apesar de ter levado tanto tempo para ler.

Vocês já leram esse livro? O que acharam?

domingo, 14 de maio de 2017

Just checking


Quem chegou a me acompanhar na newsletter sabe que no final de 2016 criei uma lista mirabolante de coisas que eu queria conquistar em 2017. Estamos quase no meio do ano (não sei como isso aconteceu, mas ok) e eu queria fazer uma balanço geral dessa lista pra visualizar melhor as coisas que consegui e tentar entender o que ainda falta e como posso chegar lá. Shall we?
  • Ler 11 livros em 2017: até agora só li 3 livros e me sinto muito culpada por não estar conseguindo focar um pouco nessa parte da minha vida que me faz tão bem. Tenho quase certeza que é tudo culpa do livro "Um dia" do David Nicholls. Ele possui alguma maldição (só pode) porque apesar de estar gostando bastante da leitura, tenho a sensação que quanto mais eu leio, mais falta página pra ler e fico bastante desestimulada.
  • Voltar a estudar alemão: por motivos de horários que não se encaixavam, não consegui voltar a estudar e ainda não tive a garra e a força pra fazer uma revisão do que já sei all by myself. Proatividade, cadê você?
  • Tatuagem: ainda não escolhi uma e pra ser bem sincera vou tirar esse item da lista porque a vontade passou. Não tenho nada muito certo na cabeça do que poderia ser gravado na minha pele assim de forma permanente, então vou deixar isso pra lá.
  • Trabalhar na AIESEC: entrei e, PUTA QUE PARIU, que organização, viu? Gente, vão fazer intercâmbio com eles. A causa é sensacional. <3 Estou trabalhando no time de entrega de valor e basicamente cuido da experiência do consumidor. Vários contatinhos no whatsapp e muitos sharings de amor das experiências deles. (À parte da experiência do consumidor, sinto que cresci muito dentro da organização e aprendi muita coisa trabalhando pra ela. Vou levar pra vida)
  • Continuar meu trabalho de IC: estou um pouco empacada, mas essas férias estão aqui para eu dar um jeito na minha vida
  • Apresentar meu TCC: 2017.1 is coming!!!!! Agora não dá mais pra fugir. OU VAI OU RACHA!
  • Passar nas 6 matérias que faltam com notas boas: YES! YES! YES!!! <3 Gente, que período foda e intenso. Acho que foi o período que melhor estudei na faculdade e os frutos foram MARAVILHOSOS. Amei de verdade. Só notão. Além de ter cursado uma matéria completamente fora da minha grade curricular e ter mandado muito bem e gostado muito mesmo (psicologia geral pra quem tá se perguntando).
  • Arranjar um estágio: DONE. Começo semana que vem. Vou estagiar numa retífica de motores de carros e caminhões. BEM GAROTA MESMO! #wecandoit
  • Revisar matérias da universidade: ainda não comecei. Aconteceram alguns empecilhos no meio do caminho tipo ter que estudar 8 matérias com meu irmão, além de auxiliá-lo nas tarefas de casa. Eu não vejo a hora desse menino entrar de férias porque NÃO AGUENTO MAIS.
  • Segurar a barra que será me separar de Marcos: a separação aconteceu meio tardia por causa de problemas relacionados ao visto dele. Tem um mês e quinze dias que ele deixou o Brasil e tem sido difícil, ao mesmo tempo que a distância mostrou que a gente tem algo bastante sólido para algo que aconteceu com tanta intensidade há 7 meses. <3 Muito amor.
  • Colocar aparelho nos dentes de novo: essa parte foi 100% negligenciada e acho que no fundo estou correndo porque sei que preciso arrancar mais dois sisos e sei por experiência própria que o pós-operatório é muito chato e inconveniente. Continuo com dente de tubarão.
  • Cuidar de mim: essa parte tem andado um pouco no limite porque tem dias que tô cuidando bem demais de mim e tem dias que não chego nem perto (muito café, nunca vou pra academia, etc). Ou seja, ainda não descobri o equilíbrio. Existe alguma coisa que me puxa pra dentro de casa e não me deixa sair. Suspeito que seja o uso excessivo de redes sociais. Por mais que eu não esteja postando o tempo todo, eu tô 97% do meu dia conectada na merda do meu celular. Às vezes minha visão fica turva no meio do dia pra vocês terem ideia.
  • Sair mais com meus amigos: estou retomando agora o contato com meus amigos da época da escola e tem sido muito feliz. Eu e mais dois amigos resolvemos querer patinar (!!) e estamos bastante animados com essa eminência de passar pelo menos um dia do final de semana desafiando as leis da física e nos aventurando em manobras arriscadas. Eu sou muito ruim nesse negócio, mas a sensação de leveza depois de uma patinação é difícil de descrever (será a endorfina??????)
  • Escrever bastante sobre a vida, o universo e tudo mais: kkkkkkkkkkkkkkkk nem em diário, nem em newsletter, nem em blog. TÁ COMPLICADO PARAR E SENTAR PRA ESCREVER, mas vou continuar resistindo aqui no blog. Eu bem sei que escrita é prática, então vou tentar desenferrujar um pouco com posts meio assim até retomar o formato de textos que gosto. 
Enfim, é isso. Vocês também já deram uma checada nas metas de 2017 de vocês pra ver como estão andando? Estou particularmente feliz com a minha lista mesmo que esteja com um monte de pendências. Como não tenho limites já incrementei a lista para começar no segundo semestre. De repente virei uma dessas pessoas que gostar de colocar um "x" no quadradinho de tarefas realizadas. Me desejem sorte!

(Feliz dia das mães para as blogueiras mamães e para suas mamis! <3)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

I miss you blogosfera


Há muito tempo que tento escrever e não consigo. As pessoas que um dia acompanharam minhas postagens devem até saber do que estou falando, afinal, perdi a mão de escrever para o blog lá em 2014. É como se desde meu intercâmbio pra Alemanha, eu só tenha respirado com ajuda de aparelhos por aqui. Não existe mais aquele interesse orgânico por compartilhar as coisas que vi, li e assisti. A internet está saturada disso (i mean it). Criei a tinyletter com o intuito de me sentir parte de alguma coisa que movimentasse a internet, mas sinceramente nunca me senti envolvida o suficiente com aquele projeto. Lá as meninas compartilham ideias, propõem conversas sobre "n" coisas interessantes, possuem regularidade de postagem, trazem assuntos para debate o tempo inteiro, enquanto eu estava ali compartilhando minha vida e um pouquinho das minhas paixões quando conseguia. A forma que enxergo a newsletter é muito diferente da forma que enxergo um blog, apesar de algumas pessoas manterem o mesmo tipo de escrita e temas.

Tentei estender meu blog para lá, mas só encontrei uma grande fonte de frustração por não conseguir responder e-mails, não saber se as pessoas tinham lido e não me sentir inteligente o suficiente para poder compartilhar coisas legais, além de me achar só mais uma. Vejo minhas amigas escrevendo sete ou oito parágrafos sobre um determinado assunto, enquanto só me sinto capaz de escrever três ou quatro. Há algum problema comigo? Não sei. Olho para os sites como Valkírias e Pólen e me pergunto "por que raios vou escrever sobre isso se os textos já estão todos lá e tão bem escritos por pessoas que se dedicam absurdos?". E daí me dou conta de um dos porquês da blogosfera ter acabado. No fim das contas é uma questão de excesso de voz mesmo. Não há mais espaço para blogar porque muitos de nós, escritores de blog, estamos intimidados com tantas plataformas: medium, newsletter, sites. Todo mundo tem voz, todo mundo quer falar e daí vira essa competição doida de quem fala primeiro sobre isso ou aquilo. Grupos que planejam pautas, textos, dicas, etc, enquanto que na blogosfera era tudo descobrimento, era tudo sobre "senti isso, vou escrever". Não que os sites não tenham isso, mas não sei se consegui me fazer entender. Aqui, pelo menos da minha parte e do que eu lia, não existiam infinitas pautas. Era tudo uma grande crônica de algo engraçado ou triste, ou apenas um pequeno causo. Não era um grande alarde.

Sinto falta disso e, infelizmente, não sei solucionar. Eu poderia dizer "vamos fazer uma corrente, vamos voltar", mas faz tempo que deixei de acreditar na blogosfera. Talvez isso mude, um dia, quem sabe.

Mudei o visual do blog porque quis ver alguma esperança de algo novo desabrochar por aqui. É simples e bastante rosado porque é uma das coisas que refletem em mim desde que comecei a blogar. Certas coisas nunca mudam.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Out of the dark

Durante um tempo da minha vida preferi ficar sozinha no meu quarto presa dentro de uma bolha escrevendo, lendo, assistindo filmes e tocando violão. Era muito confortável viver assim na minha cabeça. Achava até que estava caminhando para algo parecido como me bastar como pessoa. Só esse ano, entretanto, me dei conta de que a solidão pode ser sua amiga, mas também pode te levar para caminhos obscuros de auto-conhecimento que você não gostaria de lidar. 

Eu não sabia, mas estava mal. Pra mim chorar facilmente depois de um dia de universidade era só uma reação normal de uma pessoa sensível. Ninguém me avisou que o processo de amadurecimento poderia ser tão dolorido e tão intenso. Quando você se dá conta, está com 23 anos, algumas histórias e mais responsabilidades nas costas do que jamais sonharia. E o peso de ter que fazer tudo certo dói se você se importa minimamente com as pessoas ao seu redor. Porque crescer dói e se distanciar da pessoa que você acreditava que era é muito confuso. 

Foram uns quatro anos da minha vida vivendo com essa carga pesada nas costas e inventei desculpa atrás de desculpa pra isso não desabar em cima dos meus amigos. Tanta desculpa que me afastei de gente importante, gente que colocava sorriso no meu rosto falando uma merda qualquer. Me dar conta disso me assusta. Como deixei as coisas chegarem a esse ponto é um questionamento diário. Tenho um monte de textos, entradas em diários, blogs fechados e tudo o que é possível em relação a escrita começando com a frase "eu não estou bem" e nunca passou pela minha cabeça que isso poderia ser uma coisa mais profunda. Agora eu sei. Saí do fundo do poço e agora observo encostada na superfície o quanto eu estava mal. 

plenitude

Portugal serviu pra mim como uma terapia. Não foi um lugar fácil de morar, mas aquelas vezes que eu peguei meu fone de ouvido e sentei à beira do Mondego observando aquele fim de tarde digno de filme ou quando olhava pela janela do carro as paisagens enquanto estava numa road trip com a minha família me mostraram que o isolamento que criei a minha volta foi a maneira que encontrei de digerir o tanto de coisa que estava acontecendo ao meu redor e também foi quando me dei conta de que eu não vou conseguir desacelerar o passo que a vida flui. Ela é rápida e implacável. 

Esse pensamento se concretizou ontem enquanto tinha uma conversa franca com a minha melhor amiga sobre como fazia mal eu sumir da vida dela sem dar aviso nenhum. Nunca foi proposital. Ela nunca soube o quanto eu estava mal porque eu também não sabia que estava. Acreditava que só precisava de um tempo das pessoas. Little did I know que o que eu mais precisava era o colo de alguém e que eu pudesse simplesmente olhar pra pessoa e falar "obrigada por estar aqui".

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Eu cresci agora, sou mulher

É muito engraçado se dar conta do quanto a gente mudou ao longo dos anos. Quando olho pra trás e penso na Larissa que ingressou na universidade em 2011, vejo uma pessoa completamente diferente do que sou hoje. As pessoas mudam, a gente sabe, mas é difícil enxergar essa mudança durante o processo. Eu era uma adolescente (tinha dezessete anos) sem muita ideia do que o curso que escolhi representaria na minha vida. Se dissessem pra Larissa do começo daquele período que ela iria chorar tanto no banheiro daquela universidade por causa de notas (ela não ligava pra isso no colégio) ou que choraria no meio de uma prova, que passaria noites em claro questionando se era boa o suficiente pra ser engenheira, que namoraria um colega de classe por bastante tempo e que aprenderia tanto sobre amizade com ele, que passaria uma temporada em um instituto de pesquisa na Alemanha (!!), que seria atropelada, que torceria o pé duas vezes, que namoraria um polonês por quase dois anos, que moraria por 7 meses com os pais em Portugal, que passaria por duas grandes greves universitárias, que faria amigas tão diferentes e tão singulares, acho que ela ficaria espantada porque aquele primeiro semestre não me preparou para o que eu ia encontrar dali pra frente. De fato, eu era muito nova e maturidade é só o tempo e a vivência que dá pra gente, né. 

desculpa desapontar, mas é verdade

Dia desses encontrei um dos formandos de 2009 e ele me deu parabéns pelo meu aniversário e depois me chamou de velha. Sorri pra ele e disse que eu não trocaria meus 23 anos pelos meus 17. Certas coisas não me dão mais empolgação, é verdade, mas me sinto muito mais preparada para algumas situações. Minhas opiniões estão mais fortes, meu aprendizado é continuo, minha ansiedade está mais domada, sinto que sou uma amiga melhor pras minhas amigas, aprendi o valor das pessoas e o quanto elas são preciosas e, mais importante, aprendi a reerguer a cabeça quando o mundo estava desmoronando mesmo que fosse difícil e levasse tempo pra isso. Aprendi que é preciso MESMO dar tempo ao tempo e que aquela frase de mãe "o não você já tem" é um ótimo estímulo pra se tornar mais corajoso e correr atrás do que se quer. 

Certos erros ainda repito na universidade, mas olha, estou muito mais consciente disse. E que bom.

Tudo isso pra dizer que, enfim, cresci.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

The paradise was buried in the dust

Já faz um tempo que entendi a dinâmica da vida. Ela funciona mais ou menos assim: sabe quando você está na praia se divertindo HORRORES tomando banho de mar e, de repente, quando tira a cara de dentro da água pra respirar, vem uma onda e colapsa em você te fazendo beber (na melhor das hipóteses) ou inalar (na pior das hipóteses) 1L de água salgada? É isso. Não existe tempo 100% bom na vida de ninguém. 

Estava lendo algumas coisas sobre inferno astral e parece que esse conceito não existe na astrologia. Na real, ele foi criado aqui na internet pra justificar umas vibes esquisitas que temos antes do aniversário. Se é real ou não, eu não sei, mas busquei isso pra justificar um dos acontecimentos que ocorreu na minha vida nesse fim de semana que passou. Eu estava bem, de verdade, feliz da vida. Curtindo meu momento com meus amigos e meus cachorros quando, de repente, BOOM meu relacionamento começou a passar por uns momentos ruins até que...acabou. Falando assim, parece que está tudo bem comigo, mas é lógico que não está. Dói. Foram quase dois anos de histórias, esforços, dinheiro e viagens investidos nisso. E planos, muitos planos. E ao mesmo tempo que amargo o ocorrido, não sinto que foi uma decisão errada. 

Não sei se é fato de eu ser absolutamente obcecada por comédias românticas ou livros de romance, mas minha cabeça às vezes deturpa absolutamente tudo em prol de uma história de amor. Eu e o O. somos muito diferentes e, apesar disso, eu tentei muito fazer isso dar certo. Me adequar. Não porque ele me obrigava, mas porque ele me dava uma estabilidade e uma segurança (e carinho, abraços e beijos) que me faziam querer ficar ali pra sempre. Só que com o tempo fui vendo que isso não seria suficiente. E eu não estava sendo suficiente pra ele. E vi que essa adequação poderia dar merda num futuro próximo por causa das nossas visões em relação ao que a gente quer para a vida. Sei lá. Eu quero ter uma família e ter filhos, mas eu não quero viver pra isso. Eu quero mais. Eu quero o mundo! 

Sempre fui ambiciosa. Acho que faz parte do meu signo, Leão, e essa inquietude que trago dentro de mim em busca de conhecer pessoas eventualmente iria atrapalhá-lo. Minha vida não pode ter muita estagnação senão eu me sinto murcha. Foi o que aconteceu na maior parte do inverno em Portugal e, sinceramente, não quero repetir isso. Me sinto bem perto das pessoas que gosto. Por muito tempo li textos que dizem que as pessoas se recarregam estando sozinhas, mas eu sou ao contrário. Quanto mais contato com gente querida, melhor! E ele é mais na dele. Ficar de preguicinha em casa e tal. É bom e eu curto, mas não tanto a ponto de só querer fazer isso. 

Além disso, outros probleminhas foram surgindo no meio da nossa conversa que fizeram clarear mais e mais a minha mente. Acho que foi melhor assim. Tenho muita certeza da decisão que tomei e embora seja triste, pelo menos vivemos uma história completa (ou não, sempre pode ter o segundo ato). No momento acho que ele me odeia e tenho um sentimento de culpa absurdo porque ele deve estar achando que eu o usei. Mas não. Isso foi uma tentativa pra mim. Eu tentei até onde pude. Ninguém pode dar garantia de nada pra ninguém e isso me assusta pra caralho agora que entrei no mundo dos solteiros. Bateu um vazio existencial, um medo de ter que me relacionar com outras pessoas, então por enquanto fico aqui, escrevendo até curar 100% e aproveitar essa jornada para aprender mais sobre a pessoa que vai estar comigo a vida inteira: eu mesma.


Meu estágio, minha vida

Há cerca de dois ou três anos eu costumava escrever bastante sobre os sufocos que passava na universidade. Falava muito sobre minhas dúvida...